Glória Maria quer se dedicar a uma ONG no Haiti

10/01/2008 11:37


No dia 25 de dezembro, quando a entresafra de notícias do mundo das celebridades impera, surgiu uma novidade. Por meio de um comunicado, a Globo revelou que a apresentadora Glória Maria, após 10 anos, deixaria o Fantástico. E ainda que a jornalista se afastaria da emissora por 2 anos.


A repercussão de tal notícia na mídia gerou muita especulação. Criou-se várias versões sobre o real motivo da saída de Glória do programa dominical, oficialmente justificado como umas férias prolongadas, a pedido da própria jornalista.


Munida de toda a boataria, a revista Veja publicou, esta semana, uma matéria colocando em cheque o temperamento de Glória, classificado pela publicação como difícil.


Em conversa com OFuxico, Glória, que acabou de chegar de uma viagem à Itacaré (BA) dá sua versão final com relação à decisão de sair do comando do Fantástico: "Dei minha alma, meu sangue, minha vida pelo trabalho. Estou exaurida e quis deixar o Fantástico." E vai além, falando sobre o fato de ter lançado mão de um posto tão disputado: "Estou orgulhosa de mim por deixar um cargo que todo mundo quer."


A jornalista ainda revela que, caso a Globo não concordasse em liberá-la para este período de reclusão, pediria demissão. Sobre seu principal projeto daqui para frente, ela fala que pretende, entre outras coisas, ficar por cerca de seis meses trabalhando em uma Ong, no Haiti.


OFuxico: Como foi a decisão de sair do Fantástico? Foi elaborada ou repentina?


Glória Maria: O comunicado da Globo foi bem claro. Eu pedi dois anos de férias. É uma coisa que vinha negociando há oito meses. Já havia pedido para a Globo e eles não estavam abertos. Voltei agora a conversar com eles. Não queriam, mas eu estava cansada. Minha decisão foi definitiva e eles resolveram me dar. Era irrevogável, se eles não aceitassem, eu pediria para sair. Dei até a última gota de meu sangue.


OF: Como você está se sentindo?


GM: Foi um acordo supertranqüilo. Estou muito feliz.


OF: O que você achou da escolha de Patrícia Poeta para lhe substituir?


GM: Adorei a escolha da Patrícia (Poeta). Ela é uma pessoa maravilhosa. Enviei flores para ela.


OF: Em uma das reportagens sobre seu afastamento, saiu que você pretende se dedicar ao canto?


GM: Falei várias vezes que sempre gostei de cantar. Comecei a fazer aula de canto duas a três vezes por semana.


OF: Qual o gênero de música que você gosta?


GM: Bossa Nova, Blues e Rock and Roll.


OF: Que outros projetos você tem?


GM: Tenho que organizar o meu livro.


OF: O livro é sobre jornalismo?


GM: O livro vai contar minha trajetória, os bastidores do que vivi, as pessoas que conheci na vida. Mas não sou professora de comunicação.O livro será a minha cara e sou absolutamente transparente.


OF: O que você pretende fazer neste período fora da tevê?


GM: Tem um monte de coisas, como rever os lugar onde vistei, trabalhando pela Globo. Um deles é a China, ir a umas duas aldeias do interior. Outro lugar é o deserto Africano.


OF: Você gosta muito de viajar, não é?


GM: Adoro.


OF: Tem algum lugar que gostaria de conhecer?


GM: Tem uma amiga minha que passou uma temporada no Haiti trabalhando para uma ONG. Vou fazer o mesmo.


OF: De quanto tempo seria essa temporada?


GM: Seria de no mínimo seis meses. O sofrimento humano já conheço. Agora é hora de colocar a mão na massa.


OF: Como era o seu contrato na Globo?


GM: Trabalhei 35 anos na Globo, dos quais 10 só no Fantástico. Dei minha alma, minha vida, meu sangue e minha paixão. Fui funcionária por 18 anos e depois me tornei pessoa jurídica.


OF: Gostaria de ter um programa solo em uma estação de rádio ou na tevê?


GM: Por enquanto, estou fora da comunicação e quero desligar.


OF: Com relação a uma matéria que saiu na Veja esta semana, na qual o jornalista afirmou que você é uma pessoa de difícil  e que já teve problemas com pessoas da equipe do Fantástico, como a jornalista Renata Ceribelli e o Pedro Bial, como avalia essas afirmações?


GM: Eu não li nada. Estava em Itacaré, sem comunicação. Meus amigos me falaram. A matéria não tem nenhuma aspa, foi tudo em off, não é? Então, não posso falar nada. Mas quem me conhece, sabe quem eu sou.


OF: O que você diz sobre essas histórias de que você tem um temperamento difícil?


GM: Você acha que uma pessoa de difícil convivência teria sobrevivido 35 anos em uma empresa? É estranho que só falaram isso agora, justamente no momento que me desligo. Se isso fosse verdade, já teriam me tirado do programa, onde completei 10 anos lá.


OF: Especulou-se que a Record estaria interessada no seu passe. Houve algum convite mesmo?


GM: Cheguei ontem à noite e não estou sabendo de nada.


OF: Qual é o conselho que você daria para quem está começando na profissão?


GM: Acho que a coisa mais básica é você ter caráter, ética, ter respeito pelo outro. Todo jornalista deve saber que ele não é juiz da sociedade e, sim, um fiscal, esse é o direito dele e lembrar sempre, sempre, sempre. Hoje, na televisão, é uma guerra de egos e a pessoa deve estar preparada para a luta.


OF: Como você está se sentindo agora, fora da tevê?


GM: Minha vida é maravilhosa, meu trabalho, não mudaria uma linha da minha história, comecei do nada, fiz amigos e não mudaria um ponto. Estou orgulhosa de mim por deixar um cargo que todo mundo quer. Fui eu que pedi para sair do Fantástico.


OF: Você pretende se dedicar aos afilhadas (ela tem quatro)?


GM: Uma delas, a Júlia está mais perto de mim, mas acabava ficando muito tempo sem vê-la. Sabe como é... 10 anos sem fim de semana.


OF: E o namorado?


GM: Vai bem, mas não costumo falar dele não. (rsrs)


OF: Você pretende ter um filho?


GM: Não, os afilhados são suficientes e quero continuar a ser feliz.


o fuxico