Policial

A missão quase impossível de resgatar Beira-Mar

19/04/2008 12:44


Se ainda havia alguma dúvida sobre o tamanho da ousadia do crime organizado, ela acabou no domingo (13). Pelo menos oito homens fortemente armados cercaram o presídio federal de Campo Grande, o mais seguro do país. Dispararam seus fuzis e arremessaram granadas contra os soldados que vigiavam o portão da frente e os fundos do presídio. No mesmo momento, um helicóptero deu um vôo rasante entre os pavilhões, como se fosse fisgar algum detento que estivesse no pátio. Os agentes penitenciários revidaram e a quadrilha fugiu. Ninguém foi preso.


Cumprem pena em Campo Grande os 154 mais perigosos criminosos do país, entre eles o traficantes de drogas Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que segundo investigações da Polícia Federal, seria o alvo do resgate. Na terça-feira (15) o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse em entrevista que o ataque feito à penitenciária pode ser apenas um ensaio de uma ação muito maior que ainda está por vir.


Em novembro do ano passado, a reportagem de ÉPOCA visitou e fotografou o interior da cadeia de Campo Grande. Percorreu os corredores dos pavilhões, conheceu os espaços para visitas e os pátios e até passou pela sufocante experiência de ficar por instantes trancafiada num dos xadrezes do presídio. A visita foi acompanhada pelo então diretor do presídio, Severino Moreira da Silva, que autorizou a realização de imagens.


O material exclusivo mostra que a principal penitenciária brasileira nada deve às modernas Supermax dos Estados Unidos, consideradas as mais seguras do mundo. As grossas paredes de concreto e aço, os vidros de material ultra-resistente, o sistema de monitoramento de última geração e um batalhão de 242 agentes que têm à sua disposição um pesado arsenal dão a impressão de que é impossível resgatar alguém daquele lugar. Mas, segundo o ministro da Justiça, a quadrilha de Beira-Mar tentará assim mesmo.


revista época