Turismo

No coração do Brasil, espaços pensados por Niemeyer dão o tom

06/05/2008 09:13


Ao subir a rampa do Congresso e ver as grandes cúpulas, Le Corbusier não se conteve: "Aqui há invenção". Charles-Edouard Jeanneret, nome de batismo, nasceu na Suíça e viveu a maior parte da vida na França. Mas se surpreendeu mesmo foi aqui, do outro lado do Atlântico. Para ser mais preciso, no coração do Brasil, em pleno Planalto Central, na então recém-inaugurada capital do país.


Um dos mais importantes arquitetos do século 20, Le Corbusier (1887-1965) foi um dos grandes inspiradores da obra de Oscar Niemeyer, responsável pelos famosos ângulos da arquitetura modernista de Brasília, que acaba de completar 48 anos.


Como o próprio arquiteto brasileiro mais prestigiado no mundo costuma dizer aos visitantes da capital federal, lá "vocês vão ver os palácios, podem deles gostar ou não, mas nunca dizer terem visto antes coisa parecida". Na autoridade de um mestre centenário, Niemeyer --quem há de negar-- tem razão.


A história do arquiteto pautou a viagem da editora de livros Mariko Tsuchiya, 30, que vive na região de Kanagawa (Japão) e veio ao Brasil pela primeira vez especialmente para conferir ao vivo "a obra de um dos maiores artistas do mundo".


Mariko arranha poucas palavras em inglês. Não fala português. E quase nada sabe sobre o Brasil. Mas quando o assunto é Niemeyer... Aí, vale tudo: mímica, misturar inglês com japonês, caras, bocas e olhares.


Antes de sair do Japão, ela preparou uma espécie de diário de viagem. Nele, uma minibiografia do arquiteto, algumas entrevistas e muuuitas fotos das grandes obras espalhadas pela capital federal --todo escrito em japonês, é claro.


A primeira parada da turista aconteceu na catedral de Brasília. Seus 16 pilares curvos que se unem em anel no topo recordam mãos em prece. Com a ajuda de uma intérprete, ela conta que ficou encantada com a incidência de luz pelos vitrais de Marianne Peretti. Budista, Mariko caiu de joelhos para os anjos suspensos de Alfredo Ceschiatti.


Inaugurada em 1970, a catedral metropolitana fascinou a japonesa também pela Via Sacra de Di Cavalcanti. "Mas aqui é quente demais, né?"


No lado de fora da catedral, a "headhunter" Minako Kishikawa, 30, amiga de Mariko, estava fascinada com a Esplanada dos Ministérios, encampada sob a perspectiva do céu de Brasília. Ela estava ansiosa para visitar o Palácio do Itamaraty.


Pela primeira vez em solo brasiliense, Minako sabe das coisas. O Itamaraty é sem dúvida uma das mais belas obras de Niemeyer. A sede do Ministério das Relações Exteriores abriga um importante acervo de arte.


Como disse certa vez o próprio criador, o Itamaraty serve de pausa para as pessoas se prepararem para compreender uma arquitetura mais criativa. A da catedral, por exemplo, concebida a partir da simbologia das pirâmides do Egito.


A japonesa preferiu fazer caminho inverso. Bem em frente ao Palácio do Itamaraty está a famosa escultura Meteoro, de Bruno Giorgi, sobre o espelho-d'água e jardins de Roberto Burle Marx, onde é possível avistar até garças. As visitas são monitoradas e, o que é melhor, gratuitas.


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