Turismo

Luanda exibe marcas de guerra, mas vive boom de crescimento e tem trânsito caótico

30/01/2009 10:14


A história conturbada de Angola está impregnada na capital. Nos anos 60, Luanda era uma das cidades mais avançadas e cosmopolitas do continente africano e chegou a ser apelidada de "Paris da África".


Hoje, carrega as marcas dos 30 anos da guerra civil, encerrada em 2002, e vive efervescente reconstrução. Em 1975, no movimento pela independência do país, 400 mil pessoas deixaram Luanda em 30 dias.


Médicos, professores e técnicos, que faziam a cidade funcionar, abandonaram casas e pertences. Por semanas, Luanda virou uma cidade fantasma e foi invadida por camponeses em fuga do avanço das batalhas.


O que estava vazio foi tomado. Casas, escritórios ou fábricas viraram lares para a população mais pobre. Na época, havia um sistema de abastecimento de água suficiente para abastecer torneiras, que dispensava caixas-d'água. Sem técnicos para colocar o sistema para funcionar, a cidade ficou sem água, e as pessoas improvisaram.


Hoje, a falta de água e luz é quase diária, e o som dos geradores é comum. Nos prédios, ainda é possível reconhecer o traço elegante da arquitetura dos anos 50, desfigurada por grades, arames, rachaduras e parabólicas. Em alguns casos, há buracos de balas de fuzil.


Apesar de parecerem pouco atraentes, essas sequelas dão um caráter único ao lugar.


Um dos pontos mais bonitos da cidade é a fortaleza de São Miguel, erguida pelos portugueses em 1576. No alto de um monte, tem vista para a baía e a cidade.


A baía de Luanda é formada por uma península de areia conhecida como 'a Ilha', onde bares e restaurantes oferecem boa comida em frente ao mar e com vista para a cidade.


O trânsito em Luanda faz São Paulo parecer pacata. Além dos muitos carros, praticamente não há semáforos. Há só um cruzamento controlado pelo que aparenta ser o único guarda de trânsito da cidade.


Os carros se enfiam em qualquer centímetro vazio num angustiante tétris automobilístico. Às vezes, dois dedos separam a lanterna de um do para-choque do outro. Raramente há mais que 15 cm entre um carro e outro. Dá para perder 40 minutos para andar 500 m.


Hoje, a economia do país cresce vertiginosamente. Quase toda a produção angolana está ancorada ao petróleo, o que atraiu o governo da China a investir ali em troca do combustível bruto. Grupos de chineses formam exércitos incansáveis que fazem brotar modernas torres de vidro em meio aos prédios antigos da cidade baixa, com pouca ou nenhuma preocupação com a história local.


O edifício do antigo mercado central está sendo demolido para dar lugar a um shopping center. Em menos de uma década, Angola será diferente.


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