Turismo

Marrocos é porta de entrada para iniciantes na cultura muçulmana

05/02/2009 08:15


Incrustada no sul do Marrocos e às portas do deserto do Saara, Marrakech há décadas fascina os viajantes ocidentais no norte de África. Ex-colônia francesa desde 1956 e com fortes ligações políticas e econômicas com Portugal e Espanha, o Marrocos serve como excelente porta de entrada para os iniciantes na cultura muçulmana.


Boa parte da população urbana fala francês e o inglês funciona razoavelmente bem. Mais distante do Mediterrâneo, contudo, Marrakech tem a vantagem de preservar muito da cultura berbere, as tribos habitantes do deserto.


Fartamente arborizada por laranjeiras e palmeiras gigantes, Marrakech parece até uma cidade de praia, ainda que distante 150 quilômetros do litoral.


Apesar das largas avenidas e uma área nova repleta de hotéis e prédios de escritórios modernos, é na Medina-- o muro que cerca o centro histórico-- que fica o pulmão da cidade.


Na cultura islâmica, religião e comércio são duas faces da mesma moeda. Toda a vida da cidade gira em torno da espetacular mesquita Kutubiyya, ao lado da praça Djemaa El-Fna, que dá acesso ao labiríntico mercado tipicamente árabe.


Embora pareça assustador no começo, a grande diversão de Marrakech é se deixar perder pelas ruelas repletas de lojas com tapetes, roupas, louças e artigos de decoração típicos.


Na hora de fazer negócio, os marroquinos levam ao pé da letra o versículo do Corão que diz: "Só Alá pode fixar um preço justo".


Em Marrakech, com exceção dos hotéis e restaurantes, tudo se negocia. O segredo é perder a vergonha ocidental e pechinchar. E muito.


Aprendendo a pechinchar
Com muita paciência e jogo de cintura é possível baixar o preço de uma mercadoria até um terço do valor original, por isso não convém se empolgar e sair comprando tudo no primeiro dia.


Viajar pela região não é particularmente barato, já que o turismo acaba inflacionado pelo fluxo de euros trazido pelos europeus. Ainda assim, é uma opção acessível. Com R$ 1 compra-se 3,5 dirhans, a moeda marroquina, e os gastos com alimentação e transporte são bem razoáveis.


Um taxi do aeroporto até o centro sai por aproximadamente R$ 30 --barganhando, é claro-- enquanto um delicioso cuscuz, o clássico da cozinha marroquina, sai em torno de R$ 20 por pessoa.


Para hospedagem, uma excelente dica são os Riads, casas tradicionais transformadas em hotéis nos quais os proprietários normalmente são franceses. Atendimento simpático, decoração caprichada e preços atrativos fazem deles a melhor opção de estadia.


Típica cidade de terceiro mundo, com cerca de um milhão de habitantes, Marrakech impressiona pelo trânsito caótico, dominado pelas motocicletas, e o burburinho das pessoas andando apressadas.


A separação entre ruas e calçadas é praticamente uma ficção, o que gera certa tensão aos visitantes. Por outro lado, o povo marroquino é extremamente cordial e acolhedor. Assaltos e violência também são raros, um motivo a menos para preocupação.


Embora exista algum assédio ao turista, não é nada se comparado ao que um estrangeiro sofre no Pelourinho, em Salvador. No caso das mulheres, é recomendável sair com o cabelo preso, os braços cobertos e roupas sem decote.


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