30 de setembro de 2020
Anuncie Aqui
-->
Pandemia

Agentes prisionais tiveram saúde mental abalada na pandemia

Pesquisa mostra que tensão entre os presos é um dos motivos

6 AGO 2020 - 17h30min
Agência Brasil

Pesquisa feita entre policiais penais e agentes prisionais de todo o país revelou que a maioria deles, 73,7%, relatam ter a saúde mental afetada por causa da pandemia de covid-19 e que o apoio institucional para lidar com essas emoções chegou a 5,1% deles. 

De acordo com a segunda fase da pesquisa Pandemia de Covid-19 e os Agentes Prisionais e Policiais Penais no Brasil, na percepção de 82,2% dos agentes prisionais, as tensões entre presos aumentaram após o início da pandemia.

A pesquisa foi feita pelo Núcleo de Estudos da Burocracia, da Fundação Getúlio Vargas (NEB/FGV) por meio de entrevista online a 613 profissionais da polícia penal de todas as regiões do Brasil, entre os dias 15 de junho e 1º de julho. Foram coletadas informações sobre a percepção dos profissionais sobre os impactos da pandemia de covid-19 no seu trabalho, no seu bem-estar e nas relações com os presos.

"É um tipo de trabalho para o qual não existe home office, eles não podem ficam em casa, precisam continuar fazendo o trabalho presencial e isso os coloca em um risco muito grande de serem contaminados e ao mesmo tempo de serem um vetor de transmissão porque no sistema penitenciário a doença não existe a não ser que entre, a não ser que alguém leve. E agora as visitas estão suspensas. Esses profissionais são o único vetor de transmissão possível caso não haja ninguém contaminado lá dentro", afirmou uma das coordenadoras da pesquisa, Gabriela Lotta.

Segundo a pesquisa, entre os motivos para o aumento da tensão entre os detidos, os profissionais apontam a falta de contato com os familiares, de informações sobre o cenário real da pandemia, o medo de se contaminarem, a má alimentação e o isolamento. “Se pensarmos na perspectiva deste trabalhador, a situação é muito crítica. Ele trabalha em um lugar sabidamente insalubre, com superlotação e já sob tensão na normalidade. Durante a pandemia, estas condições se agravam, gerando alto sofrimento, ansiedade e stress”, analisa Gabriela.

O medo de contrair o novo coronavírus é o sentimento predominante nas duas fases da pesquisa, sendo que neste momento 80% dos respondentes relatam temer a contaminação."Nós tivemos um crescimento do número de presos contaminados, de presos que já morreram e de policiais penais nessas duas situações". A maioria (87%) dos agentes penitenciários afirmaram conhecer um colega de trabalho que foi diagnosticado com covid-19 e 67,8% conhecem algum preso que contraiu a doença. "Isso mostra que provavelmente temos uma enorme subnotificação também nos dados de contágio no sistema prisional".

Quando questionados sobre se sentirem preparados para lidar com a pandemia da covid-19, 69% dos entrevistados disseram não se sentirem aptos ou em condições emocionais. Entre as razões para esse sentimento está o fato de que 48,8% dos entrevistados receberam Equipamento de Proteção Individual (EPI).

"Isso mostra uma realidade muito ruim em que temos mais de 50% dos profissionais comprando sua própria máscara ou sem utilizar dentro do sistema prisional. Esse dado também mostra que os estados não estão consolidados com a ideia de que o sistema precisa ter equipamento, ou não está fornecendo, o que onera esse funcionário ao ter que comprar esse equipamento e nós não sabemos a qualidade do que ele mesmo compra".

A pesquisa revelou ainda que só 12,1% dos entrevistados receberam treinamento para enfrentar o novo coronavírus, o que segundo Gabriela, é importante porque a pandemia muda radicalmente a tipo de trabalho de quem está dentro do presídio. "Ele precisa se afastar, precisa trabalhar com novas metodologias para fazer escolta, revista ou qualquer tipo de interação com o preso. Se ele não tem treinamento isso significa que ele está sendo exposto a experimentações, a procedimentos que não são baseados em evidências e que podem aumentar a contaminação".

Gabriela destacou também que a testagem, que seria essencial nesse tipo de atividade, só foi feita por 23% desses trabalhadores. "Isso varia nos estados, mas ainda assim o estado que testou mais foi 40%. Esse profissional não pode entrar no presídio se estiver contaminado. O teste é uma forma de tirar da linha de frente um agente que esteja doente assintomático, por exemplo, e que pode levar a doença para dentro".

Os agentes prisionais relatam na pesquisa que houve, de sua parte, mudança nas interações com os presos (85,3%) e nas dinâmicas de trabalho (80,4%), com aumento de protocolos pessoais de higiene, distanciamento dos colegas de trabalho e aumento da demanda de serviço por causa da redução dos servidores na ativa. O distanciamento ou frieza e o medo com relação aos presos são os sentimentos mais comuns, respectivamente, para 49% e 47% dos respondentes.

 

Veja também

Mais Lidas

1
Aquidauana

Com calorão de 43ºC, córregos viram ponto turístico em Aquidauana

2
Aquidauana

Caso pastora: Ex-marido é condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato da pastora Cida

3
Policial

Moto invade preferencial e causa acidente na avenida Pantaneta

4
Policial

Barraco na Caixa: Cobrança de dívida termina com homem tentando atropelar a cunhada

Vídeos

Incêndio de grandes proporções consumiu atacadista, em Campo Grande

Em mais um acidente na MS-450, bombeiros resgatam vítima das ferragens

Onça-parda é flagrada 'passeando' por bairro e assusta moradores

Ver mais Videos

Previsão do Tempo

min25 max41

Aquidauana

Sol com algumas nuvens. Não chove.
min25 max41

Anastácio

Sol com algumas nuvens. Não chove.

Níveis dos Rios Hoje

Aquidauana
1,93m
Miranda
1,87m
Paraguai
1,01m

Colunas e Blogs

Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: COLETIVO DE...

Valdemir Gomes

Numa...

Maria de Lourdes Medeiros Bruno

"HOJE ESTÁ UM DIA..."

Ver Mais Colunas

Guia Cidade

Agências de Viagem e Operadoras

LukaTour

Rua Manoel Antonio Paes de Barros, 552 Centro - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241 1440 (fax)
Médicos

Flávio Pereira - Ginecologista

Rua 7 de Setembro, 1193 Centro - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241- 3665
Hospitais/Postos de Saúde

FUNRURAL - Associação Beneficente Ruralista

Rodovia Aquidauana - CERA, Km 04, - 79200-000 Aquidauana/MS (67) 3241- 4123 / 32
Ver Mais
Fale com a redação