04 de março de 2021
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Cresce a procura por bancos de cordão umbilical

15 OUT 2007 - 09h07min
estadão

Todo ano, há 3 mil novas indicações de transplante de medula, mas 1.700 delas não encontram doador. É na possibilidade de salvar a vida dessas pessoas que está a utilidade atual do armazenamento em bancos de sangue de cordão umbilical. Apoiado nas promessas de tratamentos futuros, surgiram os bancos privados, em que se armazena material colhido no parto para uso próprio, num eventual tratamento de doenças.


Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, há propaganda exagerada de empresas que prometem mais do que podem cumprir. A procura por esse serviço tem crescido nos últimos anos. Desde 2004, quando foi inaugurado, o banco privado de sangue de cordão umbilical CordVida já cadastrou cerca de 3 mil clientes. A empresa registra cem novos pacientes por mês. Em relação a 2006, o número aumentou 37%.


Em seus sites, os bancos privados misturam informações científicas com técnicas de marketing para convencer os futuros pais de que eles têm em mãos uma chance de salvar a vida do filho. O cordão umbilical é a mais promissora fonte de células-tronco, mas atualmente a sua única aplicação é para os casos de disfunção na medula óssea. São cerca de 70 doenças, entre elas, certos tipos de câncer, como leucemia, linfoma, anemias crônicas.


O diretor do BrasilCord, a rede de bancos públicos brasileiros de sangue de cordão, Luís Fernando Bouzas, acusa as empresas de indicarem uma lista de doenças que podem ser tratadas. No entanto, os bancos privados só podem armazenar células do cordão para uso da própria pessoa, segundo a Resolução 153 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


"A única aplicação terapêutica, que é recompor as células do sangue, não funciona bem em uso próprio", afirma o coordenador da RedeCord, que reúne os bancos públicos do Hospital Albert Einstein e dos hemocentros da Unicamp em Campinas e em Ribeirão Preto, Carlos Alberto Moreira Filho. O Einstein foi o primeiro no País a fazer transplantes de medula com células do cordão, em 1999. No mesmo ano, iniciou um armazenamento privado, que acabou por falta de resultados. "A solução solidária é a única viável e a solução egoísta é inepta cientificamente." O autotransplante é proibido na União Européia desde 2004 e só é feito em clínica particular se o paciente assinar declaração de responsabilidade.


O argumento de que as células do cordão são melhores porque são "virgens" , segundo eles, só se aplica em relação aos transplantes em que o doador não é o paciente. Nesses casos, a exigência de compatibilidade não precisa ser de 100%, como é o caso em transplantes de células da medula óssea, que já sofreram envelhecimento e têm mais chance do sofrer rejeição.


Bouzas faz parte da equipe que está desenvolvendo o arcabouço de uma nova legislação sobre as terapias celulares, entre elas o uso de células-tronco do cordão. A norma será aberta a consulta pública até novembro e deve entrar em vigor em 2008. "Não queremos acabar com a galinha de ovos de ouro. Minha única preocupação é que não enganem as pessoas", disse ele, que também coordena o Centro de Transplantes de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Bouzas chama a atenção para o fato de 95% dos transplantes de medula serem feitos na rede pública. "Se a bolsa de sangue estiver contaminada ou não tiver o número de células-tronco necessárias e o transplante der errado, o que vão dizer? Que congelaram na clínica chique, mas o paciente morreu porque o serviço público é ineficiente."


O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Ricardo Ribeiro dos Santos, que presta assessoria científica à empresa CordCell, critica o governo. Para ele, o Ministério da Saúde não tem condições de "bancar por muito tempo" o investimento que um banco público precisa para ter qualidade. "Soube de instituições que perderam sangue congelado porque não tinham dinheiro para comprar nitrogênio líquido", afirmou, sem revelar onde isso teria acontecido.


Ele defende que os bancos privados mudem para o formato americano, em que pais e irmãos também têm direito de usar o sangue congelado. "O banco público é importante, mas quem pode comprar uma Ferrari não vai querer um Volkswagen."


"Infelizmente, hoje, na capital paulista, quem não tem acesso à maternidade do Albert Einstein não pode fazer a doação", afirma o presidente da empresa CordVida, Roberto Waddington. Segundo ele, a categoria sente o aumento do rigor do governo na regulação da propaganda do setor.


O presidente do banco carioca Cryopraxis, Eduardo Cruz, que tem 10 mil amostras coletadas e é o maior do País, desmente a alegação de que o autotransplante não poderia ser feito em casos de leucemia porque o paciente já teria o gene da doença. "Não tem a menor base científica. As leucemias têm origens em mutações." Para ele, o armazenamento familiar privado é justificado em casos de parentes diretos com doenças degenerativas, auto-imunes ou histórico de doenças cardíacas. "As pesquisas nessas áreas já estão avançadas e a chance de ser útil aumenta."

 

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