27 de outubro de 2021
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Trans anastaciana está entre as mais bonitas da região

23 DEZ 2015 - 10h48min
anastacionews.com.br

Em uma humilde casa, nas proximidades da Avenida Porto Geral, na cidade de Anastácio, mora Verônica Val Perez, de 25 anos, que já conseguiu vários títulos de Miss, por conta de sua beleza. No entanto, não foi fácil chegar ao reconhecimento regional, tendo em vista que enfrentou muitos desafios, principalmente o preconceito, por ser transexual.

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A estudante de Turismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) conta que sempre teve a vontade de ser miss, porém até calçar os saltos e vestir os vestidos brilhantes e luxuosos, demorou um tempo.

 

Val explica que começou a perceber que era mulher desde cedo, mas só na adolescência começou a se travestir. ?Com 16 anos me montava escondida?, conta. Em uma cidade pequena e com família religiosa, Val tinha a noção que não seria fácil para seus familiares entenderem a sua condição natural. ?Minha avó tinha um bar. Ela aceitava gay e travestis, porém não aceitava na família?, diz à miss que atualmente mora com a avó e a mãe.

 

No ano seguinte, aos 17, Val se assumiu gay a todos e logo após, já com 18 anos, tomou coragem e começou a usar roupas femininas. Ela conta que conseguiu entender a transexualidade, graças às palestras que ouvia na própria universidade que realiza sua graduação atualmente. ?Na UFMS via palestras, estudei sobre o assunto e vi que era aquilo que eu queria?, revela.

 

Por um tempo, alguns de seus parentes não falaram mais com Val, pois não concordavam com a nova realidade da garota. Apesar dos desentendimentos, a jovem decidiu não se esconder mais e se abrir para o mundo.

 

Foi nessa época, em 2013, que recebeu o convite da Paulinha Martinelli, que promovia um concurso de beleza, em Três Lagoas, somente de mulheres trans e chamou Val com a intenção de que houvesse mais candidatas de cidades da região.  Nesse concurso participaram 7 transex, sendo Val Perez a ganhadora do 3° lugar.

 

No ano seguinte, agora com mais experiência, participou novamente da competição, que estava com mais investimentos, e agora abrangia as categorias de mister gay, miss transformista e miss transex. Dessa vez o clima estava muito mais tenso. ?Fui vaiada, porque torciam pelas candidatas de lá?, revela Val. Contudo, não adiantou as energias negativas jogadas nela, pois, mesmo assim, Val conseguiu o 1º lugar na categoria Miss Transex.

 

Neste ano de 2015, a jovem decidiu alçar voos maiores e se inscreveu para competição de Miss Transex em Campo Grande, ou seja, se tratava de uma disputa estadual. ?Treinei à noite toda com o vestido. Desfilei bem, me elogiaram?, lembra Val do dia anterior aos desfiles das que competiriam à coroa. Outros esforços foram tomados, como a realização de drenagem linfática durante uma semana para se destacar entre as mais belas.

 

O evento que aconteceu no mês de setembro deu a Val Perez o 4° lugar, situação que ela considera justa, levando em conta os níveis dos vestidos e patrocínio investido nas outras modelos. Quando o assunto é disputa pela faixa de 1º lugar em 2016, Val se mostra incerta e diz que tudo depende de patrocínio.

 

Os concursos de Misses servem para tirar Val da realidade que nem sempre é tão bonita assim. Ela mora com sua avó, Luzia Paulo Macedo, de 64 anos, e a mãe, Valquíria Maria Arthur, de 44 anos, que adquiriu cegueira depois de um erro médico, segundo a própria Val.

 

Hoje em dia, Luzia aceita normalmente a condição de sua neta, porém ainda algumas vezes esquece e a chama por ?ele?. ?O conceito que ela tinha de travesti era de marginalidade?, conta Val. No entanto, a estudante conseguiu mostrar que a realidade pode ser bem diferente. ?Pessoa responsável, o que ganha com a maquiagem ela me ajuda? desabafa emocionada Luzia.

 

A mudança de pensamento que surgiu por parte da avó da Val, infelizmente não é a mesma que reflete na mentalidade de alguns brasileiros que teimam em repudiar a existência dos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis). Estudos do GCB (Grupo Gay da Bahia) ? mais antiga ONG que milita pelos direitos homossexuais no Brasil - apontam que a cada 28 horas um LGBT é morto por crime de ódio.

 

E se não é morto, sofre com a exclusão da sociedade e com isso acaba parando na marginalidade, fato que normalmente acontece mais com as travestis e transexuais. ?Oportunidade de emprego não tinha. A solução poderia ser me prostituir. Ainda bem que a família me aceitou?, explica Val que a família é a base de apoio para todo LGBT.

 

Contudo, os direitos dessa classe se tornam mais difíceis de serem conquistados quando temos no poder, políticos que se negam a enxergar a causa e usam a bíblia para discriminar e julgar o que lhes parece diferente e pecaminoso. ?A bancada evangélica preconceituosa. Eles não enxergam o tanto que já sofremos?, conclui Val.

 

Ela ainda diz que apesar do congresso relutar com as causas LGBTs muitas leis, como a do nome social, ajudaram na situação das trans e travestis brasileiras. O nome social é aquele que as pessoas transgêneros escolhem para serem chamadas. Apesar de tudo, Val ainda conta que em alguns lugares as pessoas insistem em chamá-la pelo nome masculino, porém ela conversa e a situação se converge.

 

As leis que estão em vigor, apesar de serem poucas, garantem muitos direitos aos que antes não tinham nenhuma liberdade. Val ainda pretende continuar estudando, se formar, trabalhar em uma empresa, ser bem sucedida e construir sua vida. Nunca esquecendo a luta que tem que travar para garantir os direitos.

 

Ela pretende promover, ainda no ano que vem um projeto que trará maior visibilidade a causa LGBT. ?Pretendo fazer um programa de palestras de manhã, à tarde será a Parada [gay] e à noite o Miss Diversidade?, idealiza Val.

 

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