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Mel do Pantanal recebe selo de Identificação Geográfica

A ALESPANA, com sede em Aquidauana, e o SEBRAE-MS encaminharam o projeto em 2008 para o SEBRAE Nacional, que tratou dos trâmites legais do processo para a obtenção da IG

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Consumidores de mel de todo o país e apicultores da região do Pantanal dos estados de Mato Grosso e Mato grosso do Sul podem comemorar: Pela primeira vez, o Mel do Pantanal integra o time dos produtos nacionais com certificação de IG (Identificação Geográfica), registrado e emitido pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Recebem este selo produtos que apresentam uma qualidade única, devido a características naturais como solo, vegetação, clima e saber fazer.
 
Recebem este selo produtos que apresentam uma qualidade única, devido a características naturais como solo, vegetação, clima e saber fazer. No caso do Mel do Pantanal o grande destaque é a produção aliada à conservação de um bioma único, em que a prática da apicultura pode ser desenvolvida em harmonia com a natureza, auxiliando na sua conservação, uma vez que a manutenção ou plantio de espécies que apresentem floradas ou outros recursos vegetais de interesse para as abelhas africanizadas (Apis mellifera) é requisito fundamental nesta atividade econômica.
 
As diversas floradas das plantas silvestres da região pantaneira resultam em méis muito diversificados com sabores, aromas e colorações particulares, os quais são muito demandados nos mercados nacionais e internacionais.
 
Segundo o Presidente da Federação de Apicultura e Meliponicultura de Mato Grosso do Sul (Feams) o médico veterinário Gustavo Nadeu Bijos, proteger e incentivar à conservação da natureza por meio do trabalho com abelhas africanizadas e nativas no Pantanal foi o principal objetivo para a busca desta certificação, além da possiblidade de agregar valor ao mel produzido em apiários dessa região.

Ainda de acordo com Bijus, todo o processo teve início em uma das reuniões itinerantes da Câmara Setorial Consultiva de Apicultura de Mato Grosso do Sul, ocorrida em 20 de setembro de 2007 durante a Feapan (Feira Agropecuária do Pantanal) em Corumbá, quando os pesquisadores da Embrapa Pantanal Vanderlei Doniseti Acassio dos Reis, juntamente com Roberto Aguilar e André Steffens comentaram sobre a importância de se ter a identificação para os produtos apícolas na região pantaneira.
 
Estas informações subsidiaram e motivaram a ALESPANA, Associação Leste Pantaneira de Apicultores, com sede em Aquidauana/MS, e o SEBRAE-MS a encaminhar o projeto em 2008 para o SEBRAE Nacional, que tratou dos trâmites legais do processo para a obtenção da IG.
 
?O trabalho realizado pela Embrapa Pantanal nestes últimos anos foi de fundamental importância neste processo, como a divulgação da viabilidade econômica da atividade na região do Pantanal que demonstrou que, além de uma alternativa, a apicultura pode vir a ser a renda principal da propriedade rural e que pode ser desenvolvida em larga escala?, disse o presidente da Federação.

Pesquisas iniciadas em 2002 - O pesquisador da Embrapa Pantanal Vanderlei dos Reis, vem há 13 anos, juntamente com outros colegas da Unidade, executando pesquisas e ações de transferência de tecnologias voltadas para o desenvolvimento da apicultura na região. Segundo ele, seja na adequação das práticas apícolas ao clima, à flora e à realidade local, seja no auxílio da profissionalização dos apicultores e demais interessados na obtenção de mel e dos demais produtos das abelhas africanizadas de qualidade, a Embrapa Pantanal vem atuando para que hoje o apicultor encontre soluções tecnológicas que atendam às suas demandas quer seja na agricultura familiar ou na apicultura empresarial.
 
Vanderlei lembra que antes do início das pesquisas a região era erroneamente apontada e conhecida como não indicada para a obtenção de mel e de outros produtos apícolas em escala comercial, pois algumas tentativas resultaram em méis de má qualidade com cores escuras e odores não satisfatórios. Esse paradigma foi sendo alterado com a aprovação de 6 projetos de pesquisa (3 na Embrapa, 2 no CNPq e 1 na Fundect) que possibilitaram a execução de diversos estudos fundamentais para conhecer mais sobre as particularidades da apicultura no Pantanal e assim gerar, adaptar e transferir técnicas adequadas para essa região, incluindo desde a seleção de Equipamentos de Proteção Individuais (macacões apícolas, por exemplo) a embalagens mais adequadas para a obtenção de produtos de alta qualidade.
 
Para o Fiscal Federal Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) Márcio Menegazzo, as pesquisas exercem papel fundamental no desenvolvimento de um produto com Identificação Geográfica. Seja na qualificação e na descrição precisa das características do território, do processo de produção e suas práticas; seja nas especificidades da qualidade que estão vinculadas à origem, elas auxiliam os produtores a criarem regras sustentáveis na reprodução dos recursos naturais locais para garantir um produto diferenciado.

Produto registrado e rastreado - Segundo Menegazzo, a Indicação Geográfica protege os produtores contra as falsas indicações de origem (mel sendo comercializado como obtido no Pantanal e que não foi produzido nessa região) e de produtos de qualidade inferior (mel produzido na região, mas de qualidade inferior que não segue o protocolo de autenticidade da IG Mel do Pantanal), além disso, espera-se que com o advento da IG ocorra uma agregação de valor ao produto e uma melhora de qualidade nas ações da cadeia produtiva, valorizando o território e o saber fazer local ao promover um produto com tipicidade específica facilitando o seu marketing e o acesso a novos mercados.
 
As vantagens se estendem também aos consumidores quanto à confiança na autenticidade dos produtos que têm uma história particular, uma forma tradicional de produção e seguem um caderno de normas para a produção e elaboração disciplinado por um conselho regulador garantindo esta qualidade vinculada à origem.
 
O apicultor interessado em trabalhar com a IG terá que ter o seu apiário registrado e georreferenciado oficialmente nos órgãos de defesa animal e vegetal de MS ou MT, IAGRO e INDEA, respectivamente. Além disso, segundo Gustavo Bijos, o produtor terá que utilizar um sistema de rastreabilidade da produção, a ser confirmado na próxima Assembleia do Conselho das Federações, Cooperativas, Associações, entrepostos e empresas afins à Apicultura do Pantanal do Brasil (Confenal), marcada para ser realizada até o início da safra de mel deste ano, prevista para julho/agosto e seguir as regras e critérios estabelecidos  para a produção do ?Mel do Pantanal? enumeradas no ?Regulamento de Produção da Indicação de Procedência do Mel do Pantanal do Brasil?, elaborado  pela Confenal.

Futuro Promissor - Por se tratar de um alimento saudável, com aplicações em diversas áreas relacionadas à saúde e bem estar humano, o mel é cada vez mais consumido por um público de maior poder aquisitivo e exigente em suas escolhas. Esta certificação vem a somar e atribuir excelente reputação, valor e identidade própria ao Mel do Pantanal, além de distingui-lo de seus similares disponíveis no mercado.
 
O apelo ?ecologicamente correto? de um alimento que é produzido de forma harmônica à preservação ambiental e por pessoas da região agrega valor e diferencia o mel pantaneiro. Segundo Vanderlei dos Reis a expectativa é que, em breve, a produção possa atingir um estágio comercialmente mais competitivo no Pantanal, já que a apicultura vem se mostrando uma atividade produtiva transformadora da realidade econômica em várias regiões do Brasil por meio da geração de emprego e renda.
 
Parceiros - Este processo da IG Mel do Pantanal só foi possível devido às parcerias estabelecidas entre Sebrae-MS; Sebrae-MT; Sebrae Nacional; Feams - Federação de Apicultura e Meliponicultura de Mato Grosso do Sul; Feapismat - Federação de Apicultura de Mato Grosso; Câmara Setorial Consultiva de Apicultura de Mato Grosso do Sul; Alespana e Embrapa Pantanal.

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