Saúde
Mais da metade dos adultos brasileiros está acima do peso
Aquela velha canção infantil que dizia: “Quero ensopado de frango, sorvete, morango, suspiro, pudim e manjar! Eu vou ficar numa boa comendo leitoa com broa depois do jantar! Comer, comer é o melhor para poder crescer”, não deve mais fazer parte do repertório e nem do apetite de ninguém, muito menos das crianças. Isso porque, a obesidade é um assunto sério e é preciso levantar o alerta a um tema que pode levar à morte, além de causar graves problemas psicológicos e sociais, através do bullying, principalmente nas crianças no ambiente escolar.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a obesidade uma doença crônica e a define como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. De acordo com a entidade, a obesidade tem aumentado de maneira epidêmica em todas as faixas etárias nas últimas quatro décadas e, atualmente, representa um grande problema de saúde pública no mundo.
Quando o assunto é massa corporal, tanto a obesidade quanto o excesso de peso oferecem risco à saúde e caminham juntos. Se uma pessoa descuida do excesso de peso ela pode se tornar obesa. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS-2020) mostram que, atualmente, mais da metade dos adultos apresenta excesso de peso (60,3%, o que representa 96 milhões de pessoas), com número maior no público feminino (62,6%) do que no masculino (57,5%). Se o excesso de peso já é uma condição preocupante para a saúde, quando se fala de obesidade propriamente dita, o número é alarmante: Ela atinge 25,9% da população, alcançando 41,2 milhões de adultos. Em 2020 (ano dessa pesquisa), do total de crianças acompanhadas na Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS, 15,9% dos menores de 5 anos e 31,7% das crianças entre 5 e 9 anos tinham excesso de peso, e dessas, 7,4% e 15,8%, respectivamente, apresentavam obesidade, segundo Índice de Massa Corporal (IMC) para idade.
Entre os adolescentes observados pela APS em 2020, 31,8% e 11,9% apresentavam excesso de peso e obesidade, respectivamente. Considerando todas as crianças brasileiras menores de 10 anos, estima-se que cerca de 6,4 milhões tenham excesso de peso e 3,1 milhões tenham obesidade.

Execesso de peso entre adolescentes brasileiros é dilema
Observando todos os adolescentes brasileiros, estima-se que cerca de 11,0 milhões tenham excesso de peso e 4,1 milhões tenham obesidade.
Durante uma entrevista ao canal CNN, o médico e professor Leonardo Emílio, do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG) alerta que: “o tratamento da obesidade é complexo e multidisciplinar. Em linhas gerais o tratamento farmacológico é adjuvante e inicia-se na prevenção secundária para impedir a progressão da doença para um estágio mais grave e prevenir complicações, sempre com uma abordagem terapêutica individualizada”.
O Manual de atenção às pessoas com sobrepeso e obesidade no âmbito da atenção primária à saúde (APS), do SUS, das inúmeras e reconhecidas repercussões da obesidade, sabe-se que o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, aparece como um importante fator de risco para doenças crônicas, não transmissíveis. Baseada nesse risco, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade está associada a riscos para a saúde devido à sua relação com complicações metabólicas, como o aumento da pressão arterial, dos níveis de colesterol, e de triglicerídeos sanguíneos e resistência a insulina. Pesquisadores alertam que 13 em cada 100 casos de câncer são associados ao excesso de peso.
O debate sobre a obesidade mostra que esse problema é influenciado por fatores biológicos e contextuais e que são necessárias ações estruturantes e políticas públicas que visem a promoção da saúde implementação e medidas de prevenção do ganho de peso excessivo, diagnóstico precoce e cuidado adequado às pessoas com excesso de peso, bem como, o estabelecimento de políticas que promovam ambientes saudáveis nas cidades, como por exemplo: Academias gratuitas ao ar livre, palestras sobre o assunto com orientação e conscientização nutricional, espaços para a realização de caminhas e a prática de ciclismo, entre outras.

Neste início de século, estudos de entidades preocupadas com a questão da obesidade alertam que se nenhum programa de prevenção, conscientização e educação for adotado severamente, mais de 4 bilhões de pessoas serão obesas ou estarão acima do peso no mundo até 2035.
Um alerta assustador que não depende única e exclusivamente de cada pessoa individualmente, mas sim de um trabalho coletivo de política pública e sociedade, que busque cuidar das pessoas e permita que elas possam adotar novos hábitos alimentares livrando-se de ambientes emocionais que também contribuem para o desequilíbrio metabólico.
Afinal, pesada somente a consciência ao reconhecer que se excedeu na balança, na hora de servir o prato no self-service.
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