Profissional teve prisão temporária decretada e passará por audiência de custódia nesta quarta-feira
Hospital Regional de Mato Grosso do Sul afastou o técnico de enfermagem do exercício de suas funções / Divulgação/Governo de MS
Foi preso, na tarde desta segunda-feira (13), o técnico de enfermagem suspeito de abusar sexualmente de uma paciente de 27 anos internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. A prisão temporária foi decretada pela Justiça. O investigado, 52 anos, deverá passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (15).
O caso é investigado pela Polícia Civil. Paralelamente às apurações, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul informou que o profissional foi afastado das atividades e que instaurou uma sindicância para apurar rigorosamente os fatos.
Denúncia
Segundo o boletim de ocorrência registrado na 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o estupro teria ocorrido na última sexta-feira (10), enquanto a paciente permanecia internada na UTI.
Conforme a denúncia, após receber medicamentos, a jovem permaneceu sonolenta quando o técnico de enfermagem retornou ao leito e teria cometido o abuso sexual. A vítima relatou que despertou durante o ato, reconheceu o profissional e que ele deixou o quarto logo em seguida.
Ainda de acordo com o registro policial, a paciente contou o ocorrido à equipe que assumiu o plantão, o que levou ao acionamento da enfermeira responsável e da psicóloga da unidade.
A mulher está internada desde o dia 15 de junho em razão de complicações relacionadas à gravidez e ao período pós-parto. A ocorrência foi registrada pela tia da paciente.
Hospital afastou profissional
Em nota, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul informou que, desde que tomou conhecimento da denúncia, o profissional deixou de atuar na assistência aos pacientes e que o afastamento foi formalizado nesta segunda-feira.
A instituição também informou que abriu sindicância interna, reforçou que a paciente e seus familiares recebem acompanhamento da equipe hospitalar e destacou que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Confira a nota, na íntegra:
"O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) informa que, desde que tomou conhecimento da denúncia, na última sexta-feira (10), o profissional deixou de atuar na assistência aos pacientes. Nesta segunda-feira (13), foi formalizado seu afastamento das atividades.
A instituição instaurou sindicância para apuração rigorosa dos fatos, assegurando ao profissional o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme determina a legislação vigente.
O HRMS vem prestando acolhimento e suporte à paciente e aos seus familiares, oferecendo toda a assistência necessária.
O hospital esclarece ainda que, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os cuidados assistenciais são realizados rotineiramente por dois profissionais.
O HRMS reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência na apuração dos fatos e o rigor na adoção das medidas administrativas cabíveis, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com as investigações."
Defesa
A defesa do técnico de enfermagem informou que recebeu com surpresa a decretação da prisão temporária e considera a medida desnecessária. O advogado afirmou que irá adotar as medidas judiciais cabíveis para tentar reverter a decisão.
Em nota, a defesa ressaltou que o inquérito tramita sob segredo de Justiça, declarou confiar na inocência do investigado e afirmou que somente irá se manifestar de forma mais ampla após ter acesso aos autos.
Leia a nota, na íntegra:
"A defesa informa que o inquérito policial em questão, em razão das circunstâncias fáticas e das disposições legais aplicáveis, tramita sob segredo de justiça, motivo pelo qual não é possível comentar o conteúdo das investigações neste momento.
Esclarece que os fatos ainda estão sendo apurados pela autoridade policial, não havendo, até o presente momento, conclusão definitiva acerca das circunstâncias investigadas.
Informa, ainda, que adotará as medidas processuais cabíveis para requerer vistas aos autos do inquérito policial, a fim de tomar conhecimento da íntegra dos elementos já documentados e compreender, com a devida profundidade, os fatos que são objeto da investigação.
A defesa confia na inocência de seu representado e está convicta de que, ao final da regular apuração, os fatos serão devidamente esclarecidos, onde será demonstrado a inexistência dos fatos apurados.
Por fim, reafirma seu compromisso com a observância do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, reservando-se o direito de se manifestar oportunamente, após o acesso aos autos e a análise técnica dos elementos constantes do procedimento investigatório."
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