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Política

Cesare Battisti pode encerrar greve de fome nesta terça-feira


Censurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e advertido pelos próprios advogados de que seu gesto é inútil e pode ter efeito contrário, por passar a impressão de pressão indevida sobre o governo e o Poder Judiciário, o ex-ativista italiano Cesare Battisti decidiu nesta segunda-feira, 23, reconsiderar a greve de fome iniciada há uma semana. A expectativa da defesa é que a greve termine nesta terça-feira, 24 - a equipe médica da penitenciária da Papuda, onde Battisti aguarda preso o desfecho do seu processo de extradição, já está de sobreaviso para providenciar sua readaptação alimentar.

O advogado Luiz Roberto Barroso teve nesta segunda uma longa conversa com Battisti e o convenceu de que continuar a greve de fome agora, quando a decisão do presidente ainda pode demorar alguns meses, seria "um tiro no pé ou coisa pior". A greve de fome foi considerada pela advogados uma "ação desesperada" para evitar a extradição.


Battisti ganhou refúgio político, concedido em 2008 pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou o decreto ilegal, por entender que os crimes de que ele é acusado são comuns, não políticos. Mas deu a última palavra sobre o pedido de extradição ao presidente da República, que aguarda a publicação do Acórdão para decidir, o que pode durar meses. A tendência é que a extradição seja negada, como quer o ministro da Justiça.


Nesta segunda, Genro sugeriu que, diante das manifestações hostis de autoridades italianas, já haveria argumentos para Battisti entrar com novo pedido de refúgio baseado em perseguição política. Mas a defesa decidiu que até a publicação do Acórdão e a decisão do presidente, não vai se manifestar sobre o melhor instrumento para manter o ex-militante no País e nem ao menos pedir o relaxamento da sua prisão. "Estamos de mãos atadas e por enquanto só nos resta demonstrar tecnicamente que o caminho mais justo é a não extradição", disse a advogada Renata Saraiva.


O arrazoado técnico da defesa sustenta que Battisti não teve um julgamento justo e que o processo contra ele teria motivação exclusivamente política. Nega que ele tenha cometido qualquer dos quatro assassinatos dos quais é acusado e assegura que Battisti está desligado da militância desde 1978. Na ocasião, o PAC decidiu executar o agente penitenciário Antônio Santoro, acusado de maltratar presos políticos.


Contrário à execução, Battisti, conforme a defesa, discutiu asperamente com o também militante Pietro Mutti, o mais radical do grupo e que mais tarde veio a ser um "arrependido" (testemunha de acusação), mediante acordo de delação premiada. Ainda segundo a defesa, Battisti formou uma dissidência e estava fora do PAC quando foram cometidos os outros três assassinatos dos quais ele é acusado.


No Brasil, segundo a advogada, o único processo criminal contra Battisti é por uso de passaporte falso. Escritor e ligado a intelectuais de vários países, entre os quais a arqueóloga e historiadora francesa Fred Vargas, Battisti, segundo a defesa, vem se mantendo no Brasil com recursos próprios, oriundo da venda dos seus livros e com ajuda mandada por um comitê internacional de solidariedade em seu favor.

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