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Política

Diante de recuo do Brasil, Lobo quer reconhecimento de Lula

O presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, disse que não vai medir esforços para conseguir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheça as eleições realizadas no último domingo (29). A declaração veio em meio a sinais claros de recuo do governo brasileiro em relação à legitimidade da votação.


Lula afirmou diversas vezes, a última delas nesta segunda-feira, que não vai aceitar o resultado de uma eleição realizada sem a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya. O Brasil lidera um grupo de países latino-americanos na OEA (Organização dos Estados Americanos) que diz apoiar Zelaya e rejeita a vitória de Lobo. Também nesta segunda-feira, contudo, Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para questões internacionais, afirmou que esta posição pode mudar se Lobo enviar "sinais fortes" de disposição para o diálogo e a restituição da democracia.


O hondurenho parece ter entendido o recado. Lobo disse que fará "um esforço por que se normalizem essas relações [com o Brasil]". "Queria poder ligar para o presidente Lula já hoje. Vamos ligar procurá-lo quantas vezes for necessário para conseguir que nos entenda e nos compreenda", afirmou. O presidente eleito afirma que não sente "urgência" no reconhecimento de seu triunfo pela comunidade internacional, embora tenha dito que fará todos os esforços para que aqueles que não aceitam o pleito mudem de ideia.


"Para mim o importante é que esperemos. Não tenho urgência que digam hoje. Eu gostaria que fosse assim, é o ideal, mas se eles consideram que é prudente ter mais tempo, perfeito", disse, em sua primeira entrevista coletiva após a votação. Lobo afirma que conversou com alguns líderes internacionais, como o presidente da Costa Rica e mediador na crise hondurenha, Óscar Arias, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, e o presidente de El Salvador, Mauricio Funes.


"Há vários [presidentes] com quem falamos. Disseram que vão reconhecer, que vão nos ajudar a fazer com que outros nos reconheçam também. É um tema que pouco a pouco vamos resolvendo", disse. Mais uma vez, Lobo evitou pronunciar-se sobre o futuro de Zelaya, derrubado no último dia 28 de junho em um golpe de Estado.


"É um tema que os dois [Zelaya e o presidente interino Roberto Micheletti] aceitaram que o Congresso decidirá, portanto eu deixo que o Congresso siga atuando. Eu vou olhando em direção ao futuro", afirmou, lembrando da discussão marcada para a próxima quarta-feira.
"Logicamente, o que acontece hoje é importante para amanhã. Espero que o Congresso tome a melhor decisão", indicou, sem especificar qual é sua opinião sobre a questão.


Brasil


Do lado brasileiro, Garcia disse nesta segunda-feira que alguns "gestos" de Lobo e a taxa real de participação na eleição de domingo poderão levar a "mudanças" na posição do Brasil. "Se o Brasil considerar que tem que mudar de posição, mudará de posição", disse Garcia a jornalistas em Estoril, Portugal, onde participa da Cúpula Ibero-Americana. "Por um lado, consideramos a eleição ilegítima, mas se tiver havido uma participação popular muito forte, tampouco poderíamos ser indiferentes ao fato político."


Contrariando a alegação dos zelayistas de que houve um grande boicote de 70% dos eleitores, o TSE afirmou que a participação chega a 61,3% (quase 10% a mais que em 2005). Garcia disse que o Brasil não pretende ser "o juiz da situação em Honduras" e defendeu que a o assunto deve ser discutido internacionalmente e que o Brasil gostaria que a questão seja tratada pela OEA. "De consenso, há a condenação do golpe de Estado que apeou o presidente Manuel Zelaya do poder. Para o governo brasileiro, as eleições foram realizadas em grande medida para legitimar o golpe", disse.

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