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Novembro Azul

Em mês de prevenção ao câncer de próstata, urologista desmistifica tabus e fala sobre doença

Dr. Guilherme Maffei Lemos deu entrevista exclusiva ao jornal "O Pantaneiro" sobre o tema

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A campanha do "Novembro Azul", realizada anualmente, é alusiva à conscientização do homem para a prevenção ao câncer de próstata. O assunto, muitas vezes tratado como tabu pela população masculina, é sério e precisa de atenção.

O Dr. Guilherme Maffei Lemos, especializado em Urologia, e que atende na Clinimed, no CEM e no Hospital Funrural de Aquidauana, falou com a equipe de reportagem do jornal "O Pantaneiro" e deu uma entrevista exclusiva sobre o tema.

"O objetivo do Novembro Azul é conscientizar os homens para que, pelo menos uma vez no ano, eles se lembrem dessa doença. A gente sempre brinca que eles querem ser Super-Heróis e esquecem de se cuidar, muitas vezes fugindo da consulta. Nos dias de hoje, é bom frizar, as pessoas já estão mais conscientes e dispostas a fazer o exame, o que é muito bom, já que esse tipo de tumor é o segundo mais frequente na população masculina, ficando atrás apenas do câncer de pele", explicou.

Questionado sobre a idade ideal para que o homem fique mais alerta, o especialista informou que, para a população de raça branca, a idade recomendada é de 50 anos, principalmente quando não há histórico familiar ou qualquer sintoma aparente. Já para a população negra, que possui histórico de parentes de primeiro grau que desenvolveram a doença ou que manifesta qualquer tipo de incômodo na regial da próstata, a idade recomendada para o rastreio é de 45 anos.

O médico comentou sobre probabilidades de desenvolvimento da doença. "É preciso lembrar que o câncer de próstata é um tipo de doença extremamente hereditária. Então, quando o homem tem algum parente de primeiro grau que desenvolveu o câncer, a chance aumenta em até duas vezes e, se forem dois parentes, a probabilidade de que o indivíduo também venha a desenvolver aumenta em até cinco vezes", pontuou.

Sobre os exames de diagnóstico do câncer de próstata, o médico explicou que ainda é preconizado pela Sociedade Mundial e pela Sociedade Brasileira de Urologia, o PSA anual, que é um exame de sangue, e o exame digital retal prostático, popularmente conhecido como toque retal. "A gente sabe que até 20% dos pacientes com câncer vão apresentar o PSA normal, então, este segundo é o exame mais importante, pois é quando o médico verifica a consistência da próstata. Uma vez que a maioria do tumor é periférico à esta região, a gente pode sentir qualquer alteração com o toque. Até o momento, este é um tipo de exame insubstituível", disse.

Sintomas e Prevenção   

O especialista explicou que este tipo de câncer, muitas vezes, é assintomático. Em 90% dos pacientes, a doença é totalmente localizada e, caso o tratamento seja iniciado no primeiro estágio, as chances de recuperação variam de 90% a 95%. Quando o tumor evolui, há alguns sintomas comuns, como dificuldade para urinar, vontade de ir ao banheiro várias vezes seguidas, sangue na urina ou na ejaculação, dor óssea e dor generalizada.

Sobre prevenção, o Dr. Maffei fez ponderações importantes. "A gente sabe, hoje em dia, que há uma tendência, além dos fatores genéticos e raciais, de que pacientes fumantes, obesos, sedentários e que consomem gordura em excesso podem desenvolver o câncer de próstata com mais facilidade. Então, é recomendável que o homem em idade de risco tenha uma dieta equilibrada e que busque um estilo de vida mais saudável", apontou.

Tratamento

De acordo com o entrevistado, o tratamento depende do resultado da biópsia, feita após a percepção de alterações na região. "Se o exame der positivo, nós temos três modalidades multifatoriais de tratamento. Para tumores de baixo risco, o paciente entra em vigilância ativa, que seria o acompanhamento direto com o médico, evitando, em um primeiro momento, qualquer intervenção cirúrgica. Quando é observado que o paciente possui um risco aumentado, o tratamento ocorre em duas formas: cirúrgico, que pode ser a cirurgia aberta, laparoscópica ou robótica, ou radioterapia, que propõe radiação na próstata com o objetivo de queimar as células tumorais. O paciente também pode optar por um tratamento combinado de cirurgia, radioterapia e hormonoterapia. Em casos onde o tumor já está fora da próstata, nos ossos, passa por hormonoterapia, que seria o bloqueio do hormônio masculino com uma injeção subcutânea, e também raspagem dos testículos", finalizou.

Em Aquidauana, há estruturamento para oferecer ao paciente o rastreio do câncer de próstata. No CEM, há urologistas capacitados para o acompanhamento do tratamento e através do PSF, é possível fazer a triagem inicial para futuro encaminhamento de pacientes, seja para a rede pública ou rede privada de saúde.

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