Junho Vermelho
Estender o braço para doar é como um gesto de salvamento
O mês de junho é dedicado a alertar a sociedade para a importância de doar sangue, principalmente, mas o alerta também chama a atenção para doar medula óssea. Esse gesto de solidariedade deve ser tomado, porque a condição de receptor pode afetar qualquer pessoa.
O Professor Carlão, um biomédico transplantado, que é diretor nacional Centro-oeste da ABTX (Associação Brasileira de Transplantados) e atleta transplantado master de corrida de rua, ciclismo e atletismo, fala desse gesto tão importante que também é de empatia. Carlão conta sua experiência de vida e fala da importância de se desenvolver a consciência para a importância da doação.
"O gesto de doação de sangue é um gesto e uma atitude de amor, é uma prática de empatia, porque o ato de solidariedade expressado através da doação, deixa bem claro que nós somos irmãos de sangue da espécie humana. O sangue do brasileiro é igual ao sangue dos chineses, igual ao sangue dos canadenses, sangue do americano que é igual ao sangue do inglês. Isso quer dizer que nós temos um grau de parentesco evidente demonstrado pelo sangue. Porque esse produto sangue não pode ser produzido artificialmente. Para que ele possa salvar outra pessoa você tem que sair da zona de conforto. É o ato de estender o braço para que o sangue possa ser colhido e possa salvar a vida de outra pessoa. O sangue pode salvar uma vida literalmente falando", explica
O professor Carlão, que é um transplantado, hoje é um militante dessa causa, porque viveu uma dor e sobreviveu a ela por meio de doação.
"Em 2015 eu recebi o diagnóstico de uma doença rara, chamada aplasia medular severa, que é uma anemia muito impactante, e a cura só é possível com um transplante de medula óssea. Enquanto eu não encontrei um doador compatível, cuja a possibilidade é de um em cem mil, eu sobrevivia diariamente tomando inúmeros medicamentos e também recebia de duas vezes a três vezes ou três transfusões por mês de sangue, para que eu pudesse continuar vivo", conta o professor, que ao se ver nessa condição delicada de vida, teve tempo de pensar nas pessoas que igualmente a ele, sofriam.
"Assim que eu recebi o diagnóstico, no hospital regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, eu fundei o projeto e recebi um extremo carinho da população e recebi uma das maiores doações de sangue para um paciente, na história do Estado. E mesmo sem saber quanto tempo eu teria de vida, eu decidi fundar o projeto sangue bom, que hoje é o Instituto Sangue Bom, voltado para as ações relacionadas com a doação de sangue de medula óssea e órgãos. Hoje, com as suas ações ampliadas, a partir do dia 14 de junho deste ano, vamos atender com várias ações calçadas na doação de sangue, medula e órgãos, esporte saúde educação, meio ambiente, e solidariedade".
O Instituto que o professor fundou, mesmo não tendo uma sede física nem funcionários, atuava nessa causa incessantemente no ano de 2022 realizou 505 ações solidárias. Esse ano, já passou de 230 ações, por meio de parcerias-públicas e privadas, com o comércio, com empresas, escolas, universidades, num trabalho de conscientização sobre o que é muito e o que é verdade sobre a doação de sangue, de medula e órgãos. O Instituto Sangue Bom é uma entidade atuante e promove uma frente de ações como explica o professor Carlão.
"Tem vários projetos dentro do Instituto Sangue Bom. Tem use e devolva, seja sangue bom; doe cabelos e construa sorrisos; tem a corrida sangue bom; tem a páscoa sangue bom; tem o natal sangue bom; tem sangue bom nas escolas; sangue bom nos hospitais. É um volume de ações muito intenso com parcerias firmadas e todas objetivando o amor ao próximo".
A quantidade de sangue retirada não afeta a saúde do doador, pois a recuperação ocorre imediatamente após a doação. Uma pessoa adulta tem, em média, cinco litros de sangue e em uma doação são coletados no máximo 450 ml. É pouco para quem doa e muito para quem precisa.
Especialistas da saúde explicam que o sangue doado é seguramente separado em diferentes hemocomponentes (hemácias, plaquetas, plasma) e, assim, pode beneficiar vários pacientes com apenas uma unidade coletada. Os hemocomponentes são distribuídos para os hospitais para atender aos casos de emergência e aos pacientes internados.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), orienta alguns critérios para uma doação segura para ambos os lados.
A Assembleia Mundial da Saúde, em 2014, designou um dia especial para agradecer aos doadores e incentivar mais pessoas a tomarem a iniciativa de doar sangue com frequência. A data de 14 de junho foi instituída em homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner, imunologista austríaco que descobriu o fator Rh e as várias diferenças entre os tipos sanguíneos. Mas a campanha é permanente, porque as unidades de saúde necessitam diariamente de sangue para seus pacientes.
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