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Saúde

Fiocruz avalia o excesso de mortes maternas em 2 anos de pandemia

Durante os dois primeiros anos de epidemia, o excesso de mortes maternas foi de 69% no Brasil, com 39% no primeiro ano e 100% de aumento no segundo ano

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Estudo liderado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e publicado pela revista científica Plos One , atualiza e amplia avaliação sobre o impacto da pandemia de Covid-19 na mortalidade materna no Brasil. O epidemiologista Jesem Orellana, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), e pesquisadores ligados ao Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs), do Instituto Gonçalo Moniz/Fiocruz Bahia, a universidades brasileiras e dos Estados Unidos e da Colômbia mostraram que houve forte aumento no excesso de mortes durante os dois primeiros anos de epidemia, independentemente da região e ano de avaliação.

Durante os dois primeiros anos de epidemia, o excesso de mortes maternas foi de 69% no Brasil, com 39% no primeiro ano e 100% de aumento no segundo ano. No primeiro ano de epidemia, o impacto foi maior nas regiões Nordeste e Norte, com 55% e 56% de mortes maternas excedentes, respectivamente. Por outro lado, no segundo ano, houve um desproporcional impacto nas regiões Centro-oeste e Sul, alcançando 123% e 203% de mortes maternas excedentes, respectivamente. Nas mulheres com idades entre 35 e 49 anos da região sul observou-se um padrão explosivo, com 413% de excesso de mortes, durante o quadrimestre de março a junho de 2021.

O estudo usou dados oficiais de mortalidade do Ministério da Saúde. “A esta altura da pandemia, não parece razoável duvidar dos impactos diretos da epidemia sobre a mortalidade por Covid-19 no Brasil, pois só nos dois primeiros anos foram contabilizadas cerca de 650 mil mortes pela doença, um número assustador e que comprova a negligência no seu enfrentamento. No entanto, pouco se sabia sobre os efeitos indiretos da epidemia de Covid-19 e nosso estudo mostrou um grave impacto sobre as mortes maternas, forte o suficiente para comprometer as metas do Brasil relativas à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Uma pena, mas que fique de aprendizado sanitário e humanitário, pois esta não foi a primeira e nem será a última pandemia que enfrentamos”, explica Orellana, que coordena o Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi) da Fiocruz Amazônia.

No artigo intitulado Impact of the Covid-19 pandemic on excess maternal deaths in Brazil: A two-year assessment (em tradução livre: Impacto da pandemia de Covid-19 sobre o excesso de mortes maternas no Brasil: uma avaliação dos dois primeiros anos), os cientistas argumentam sobre essa relação e apresentam dados da mais abrangente avaliação sobre o impacto da pandemia de COVID-19 sobre o excesso de mortes maternas no Brasil. Os autores concluíram que houve forte excesso de mortes maternas no Brasil, especialmente no segundo ano da pandemia e no quadrimestre de março a junho de 2021, momento de inédita e rápida disseminação da variante Gama (P1) e quando muitos, equivocadamente, acreditavam que a epidemia estava se esgotando no país.

“Como estamos falando de mortes evitáveis, mediante o adequado acompanhamento da gestação e do parto, aumentos fortes e até explosivos como mostrados em nosso estudo, mostram o quão precário foi o gerenciamento da epidemia no Brasil e a urgente necessidade de aperfeiçoamento das políticas de saúde materno-infantil, sobretudo durante crises sanitária”, pondera o epidemiologista.

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