De MS para o mundo
Período fortalece as ações de sensibilização e busca ampliar o número de doadores voluntários em Mato Grosso do Sul
A aposentada Roseli Maria Cervi Kohl, moradora de Coxim-MS, viveu uma experiência transformadora que simboliza o espírito do Setembro Verde. Em 2011, ela doou medula óssea para um paciente dos Estados Unidos, por meio do Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). O ato de amor ultrapassou fronteiras e salvou uma vida, sem que ela jamais conhecesse o receptor.
Gaúcha de Faxinal do Soturno-RS, Roseli se cadastrou como doadora em 2008, durante uma campanha de conscientização. Três anos depois, recebeu a ligação do Inca confirmando a compatibilidade. A coleta foi realizada em Curitiba, no Hospital de Clínicas da UFPR. “Minha vida ganhou um novo significado”, afirma.
Segundo ela, o procedimento foi tranquilo, sem dor ou reações adversas. Roseli passou por diversos exames, ficou seis dias em Curitiba e realizou a coleta de células-tronco nos dias 10 e 11 de janeiro de 2011. A família foi fundamental no apoio emocional. “Foi uma das decisões mais importantes da minha vida”, reforça.
Setembro Verde: MS promove conscientização e luta por mais doadores
A Assembleia Legislativa de MS promove o Setembro Verde com ações que incentivam a doação de órgãos e tecidos. A campanha foi oficializada pela Lei 5.862/2022 e inclui a 2ª Caminhada Passos pela Vida, no dia 21 de setembro, no Parque dos Poderes, além de uma sessão solene no dia 22.
Desde 1993, MS atua na conscientização da população sobre a importância da doação. O deputado Renato Câmara destaca que a conversa sobre o tema deve acontecer dentro das famílias. “Falar sobre doação é um gesto de amor e coragem”, afirma.
MS enfrenta desafios, mas avança nos transplantes
A Central Estadual de Transplantes (CET-MS), ligada à Secretaria de Saúde, coordena as doações no estado. Em 2025, já foram realizados 198 transplantes de córnea, 35 de fígado e 11 de rim. No entanto, o estado ainda não realiza transplantes de coração, pulmão, intestino e outros mais complexos.
A coordenadora Claire Miozzo explica que os maiores desafios são a logística para transporte de órgãos e a capacitação de profissionais para identificar potenciais doadores. “A conscientização e o acolhimento das famílias são fundamentais para salvar mais vidas”, afirma.
Brasil tem um dos maiores registros de doadores de medula do mundo
O Redome é o terceiro maior banco de doadores voluntários de medula óssea do mundo, com mais de 5,9 milhões de brasileiros cadastrados. Nos últimos 30 anos, já foram realizados mais de 5 mil transplantes no Brasil por meio do sistema, que também envia e recebe amostras para outros países.
A história de Roseli Kohl mostra como um gesto individual pode fazer a diferença. No mês dedicado à doação de órgãos, seu exemplo reforça a importância de se informar, se cadastrar e conversar com a família sobre essa decisão que pode salvar vidas.
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