Localizado na tarde de quarta-feira (24), numa residência situada na Vila São Pedro, em Aquidauana, o jovem suspeito de participar das sessões de tortura contra um menino de quatro anos foi encaminhado para Campo Grande, onde prestou depoimento ao longo desta quinta-feira (25).
Primo da vítima, ele tem 18 anos e foi ouvido pelo delegado titular da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), Paulo Sérgio Laureto, que está à frente do caso.
Segundo a autoridade policial confirmou ao Campo Grande News, o jovem disse que as agressões ocorriam desde setembro do ano passado e que a última vez que havia participado foi em dezembro, quando se mudou para Aquidauana.
O suspeito ainda relatou que era obrigado a bater no menino porque morava de favor na casa dos tios, além de garantir também ter sido agredido pelo casal. Em um dos rituais, contou que a tia fez com que uma entidade "baixasse" nele e o fizesse agredir o primo.
Por fim, o jovem falou que a avó materna da criança, que também mora em Aquidauana, tinha envolvimento nos rituais, ao contrário do que ela disse em depoimento. A mulher declarou que participava de rituais, quando era casada, mas nenhum deles machucando pessoas e envolvendo crianças. "As evidências contra ela estão cada vez mais fortes", afirmou o delegado Laureto. Ela deve voltar a ser ouvida pela polícia.
O casal e o jovem vão responder por tortura qualificada e abandono de incapaz. A pena é superior a 10 anos de prisão.
O caso
A criança foi resgatada na noite de terça-feira (23), numa casa situada na região central de Campo Grande, durante uma vistoria do Conselho Tutelar, que constatou as práticas de tortura e agressão por parte dos tios do menino, 31 e 46 anos. O casal fazia rituais de magia negra.
O menino apresentava uma fratura no braço antiga, além de lesões nas costas, no pescoço e a unha do dedão esquerdo arrancada. Ainda corre o risco de perder a visão.
Ele segue internado na Santa Casa de Campo Grande, sem previsão de alta, de acordo com o Campo Grande News. Introspectivo, tem recebido acompanhamento do Conselho Tutelar e de psicólogos, além de receber alguns livros infantis e brinquedos fornecidos pelo hospital. Pessoas do Brasil inteiro se sensibilizam com a situação dele e manifestam interesse em adotá-lo.