Juventude negra é a vÃtima em 73% das mortes por causas externas
Paulo Pinto/ Agência Brasil
Um estudo conduzido por duas unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que o impacto da violência no Brasil varia conforme idade, sexo e cor da pele. Adolescentes, jovens adultos, mulheres, pretos e pardos são os grupos mais afetados.
A pesquisa analisou notificações médico-hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2022 e 2023. O levantamento foi realizado por pesquisadores da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).
O estudo aponta que 65% dos óbitos entre jovens resultam de causas externas, como violência e acidentes, totalizando 84.034 das 128.826 mortes registradas nesse período. Entre 15 e 19 anos, os adolescentes estão mais expostos à violência física e a situações de conflito, enquanto jovens de 20 a 24 anos apresentam maior risco de mortes violentas, com taxa de 390 óbitos a cada 100 mil habitantes.
Entre os tipos de violência, os jovens sofrem principalmente com agressão física (47%), violência psicológica e moral (15,6%) e violência sexual (7,2%). O estudo aponta que “quanto mais jovem a vítima, maior a proporção de violência física; quanto mais velha, maior a proporção de violência psicológica.”
Em termos de raça, jovens pretos e pardos representam 54,1% das notificações de violência no SUS e quase três quartos (73%) dos óbitos por causas externas, totalizando 61.346 mortes. Entre homens jovens negros, a mortalidade por causas externas chega a 227,5 para cada 100 mil habitantes.
Violência contra mulheres
O levantamento destaca que mulheres são as principais vítimas das violências notificadas pelo SUS, especialmente meninas de 15 a 19 anos. No Distrito Federal e no Espírito Santo, há um caso de violência registrado para cada grupo de 100 mulheres. Entre as principais causas de morte violenta estão tiros e cortes por objetos perfurantes.
Além disso, jovens com deficiência foram vítimas em 20,5% das notificações, incluindo aqueles com transtornos mentais, de comportamento ou deficiência intelectual.
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