dothCom Consultoria Digital
Publicado em 08/02/2008 às 18:05
Atualizado em 10/09/2026 às 13:53
O Grupo Oi divulgou ontem comunicado ao mercado informando que as negociações em curso prevêem a compra do controle da Brasil Telecom (BrT), e não uma fusão entre as duas operadoras. Esta semana, o partido DEM defendeu que a união das duas operadoras seria uma "ilegalidade" e informou que pretende recorrer à Justiça contra o negócio. O grupo também confirma que o negócio será em torno de R$ 4,85 bilhões.
O comunicado explica que as negociações para a reestruturação do controle acionário da TmarPart (controladora da Oi) e para a aquisição do controle acionário da BrT "continuam avançando", mas não foram concluídas. A Oi informa ainda que os valores relativos à compra do controle da BrT podem vir a ser ajustados e convergem para "se fixarem no centro da faixa de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,2 bilhões" para a compra do controle. O comunicado enfatiza que "não há certeza quanto ao valor final do negócio" caso "as negociações cheguem a bom termo".
Na prática, haverá duas operações em paralelo. Os grupos La Fonte, do empresário Carlos Jereissati, e Andrade Gutierrez, de Sergio Andrade, consolidarão o controle que têm na TmarPart, comprando fatias dos outros sócios, entre eles a GP Participações, Citigroup e Opportunity. Para isso, deverão desembolsar R$ 2,5 bilhões, 60% dos quais financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
No desenho final da TmarPart, La Fonte, Andrade Gutierrez e Fundação Atlântico (fundo de pensão dos funcionários da Oi) ficariam com 51% do negócio e BNDES, Previ, Petros e Funcef (fundos de pensão de Banco do Brasil, Petrobrás e Caixa Econômica Federal) com os 49% restantes.
Depois disso, a Oi compraria o controle da BrT e poderia ainda desembolsar algo perto de R$ 3,7 bilhões para pagar direitos e ações de minoritários. A Oi tem um caixa ao redor de R$ 6,5 bilhões e capacidade para levantar financiamentos no mercado, porque trabalha pouco alavancada. Na prática, a BrT passaria a ser uma controlada da Oi e, indiretamente, da TmarPart.
Claro
Ontem, o presidente da operadora de telefonia celular Claro, João Cox, disse que fusões e aquisições são movimentos naturais de mercado, mas que é preciso respeitar as leis e preservar "o princípio da neutralidade do capitalismo". O executivo não quis comentar a eventual mudança na legislação para permitir a compra da BrT pela Oi. Disse apenas que a questão compete à Anatel e ao Ministério das Comunicações. "Respeitadas as leis, é um movimento de mercado", comentou.
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