Tecnologia
Pesquisadores da área da psiquiatria trabalham em um software de auto-ajuda voltado para o treinamento e tratamento do estresse dos astronautas durante as viagens espaciais. Segundo o site NewScientist, a idéia é oferecer tratamento mais dinâmico que a troca de mensagens atualmente feitas entre a nave e a base na Terra, que em longas viagens pode demorar mais de vinte minutos para serem transmitidas.
Durante as missões, os astronautas ficam confinados. As viagens levam no mínimo seis meses e podem chegar a anos de duração, recheados de dias monótonos. Para completar, estão em constante monitoramento e tendo suas agendas programadas por outras pessoas, o que em alguns casos pode levar a crises de depressão, algo comparável ao que acontece em uma prisão.
Com o software criado por James Carter e seus colegas, da Harvard Medical School, os astronautas terão um meio mais rápido de receber ajuda. Para a criação do software "Virtual Space Station" foram entrevistados onze astronautas que relacionaram suas principais preocupações e métodos de como os problemas poderiam ser resolvidos.
Leonard Greenhalgh, da Tuck School of Business, nos Estados Unidos, criou um gerenciador interpessoal de conflitos que, com o uso de vídeos interativos, pede ao usuário para resolver conflitos à sua maneira.
Passada esta etapa, Greenhalg aparece em vídeo sugerindo o que poderia ter sido feito diferente, o que pode evitar discussões entre a tripulação. Outro módulo do Virtual Space Station lida com a depressão do astronauta, através de uma técnica chamada de "terapia de soluções de problemas", eficiente e ainda assim simples o suficiente para ser adaptada para um software.
Em vez de pedir reflexão sobre sentimentos, foram criadas listas de problemas específicos que podem trazer preocupação e, assim, sugeridas maneiras práticas de resolvê-los. Ao fim do exercício, um diagnóstico de depressão é preenchido.
A ferramenta ainda está sendo testada e os resultados clínicos ainda não foram coletados, mas espera-se que o Virtual Space Station possa servir também para outros profissionais como cientistas isolados em locais remotos - por exemplo, em trabalhos na Antártida, que costumam também durar meses.
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