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Telecentros de SP bloqueiam YouTube, mas dão acesso a sites pornográficos

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Em telecentros municipais na região central de São Paulo, usuários de internet não podem ter acesso ao site YouTube, mas conseguem ver páginas com conteúdo pornográfico, inclusive com fotos de sexo explícito.


Um decreto municipal do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de 14 de agosto deste ano proíbe o acesso a sites com conteúdos relacionados a sexo, drogas, pornografia, pedofilia, violência e armamento em órgãos da administração municipal direta e indireta. Os telecentros, diz a prefeitura, já tinham o acesso a esse tipo de conteúdo restrito. As empresas públicas e organizações não-governamentais (ONGs) com as quais a prefeitura têm convênio também ficam obrigados a adequar suas redes de comunicação e de dados, de forma a impossibilitar o acesso a conteúdos inadequados.


Navegando


O G1 foi a três telecentros municipais na região central na terça-feira (23) e em todos conseguiu acessar sites com conteúdo pornográfico. No Telecentro Santa Cecília, a reportagem pediu a dois usuários que tentassem acessar sites de sexo por meio de um site de buscas. Eles digitaram a palavra "sexo" no buscador e logo apareceram diversos links. Os usuários conseguiram abrir sites com fotos de pessoas tendo relações sexuais.


Nos telecentros do Páteo do Colégio e da Bela Vista, a reportagem digitou a mesma palavra no site de buscas e a conexão foi direcionada para uma página que diz que o conteúdo é impróprio e não pode ser visualizado por determinação da lei 14.098 de 2005. Nesses telecentros, no entanto, colocando uma sílaba a mais na palavra "sexo", como "net", "br"', "bis", é possível acessar o mesmo tipo de site. O filtro é mais severo com palavras populares que designam os órgãos sexuais.


Nesses dois telecentros, os orientadores do local não fiscalizaram o acesso a sites pornográficos enquanto a repórter entrava nas páginas impróprias. No da Bela Vista havia um aviso colocado na parte superior do computador alertando sobre a proibição.


Usuária do Telecentro Santa Cecília, a empresária de bandas e DJ Patrícia Carvalho, de 36 anos, fechou a tela assim que viu as fotos, com medo de ter a entrada no telecentro restrita. Ela freqüenta telecentros diariamente há cerca de três anos e diz às vezes ter dificuldades para visualizar alguns sites de música por conter palavras impróprias.


Patrícia também se queixa de não poder ver o YouTube. "Algumas vezes gostaria de ver clipes de certas bandas, mas não posso", reclama. Para outros sites ela conseguiu ter o acesso liberado pela coordenação do telecentro, após o local comprovar que não havia conteúdo impróprio.


O ajudante geral Rogério Rodrigues, de 29 anos, também se queixa de não poder usar o YouTube. "Coloquei alguns vídeos no meu perfil do Orkut e não consigo vê-los. Também não posso ver vídeos antigos de música que tem no YouTube", diz ele. O acesso ao site de relacionamentos Orkut estava liberado em todos os telecentros visitados.


Falha


Para a prefeitura, pode ter havido uma falha no sistema dos três telecentros que impediu a ação do filtro destinado a coibir sites pornográficos. De acordo com o coordenador de inclusão digital da Secretaria de Participação e Parceria, Frederico Guidoni Scaranello, os telecentros têm um sistema de filtro que associa determinadas palavras a conteúdo impróprio, como é o caso do substantivo sexo. Há ainda outro programa que relaciona endereços de páginas impróprias. Segundo Scaranello, a prefeitura tem uma lista de aproximadamente 650 mil sites bloqueados.


"Essa palavra [sexo] ligada a conteúdo pornográfico deveria ser logo reprovada. Pode ter havido um furo no sistema e vamos apurar isso porque não pode acontecer", afirmou ele, segundo o qual os técnicos da prefeitura já estão trabalhando para corrigir o erro e vão fazer uma revisão completa nos sistemas.


Filtros


A cidade de São Paulo possui 293 telecentros municipais, dos quais cerca de 150 são em convênio com organizações não-governamentais. Os demais são ligados diretamente à rede da prefeitura, cujo filtro é mais rigoroso, segundo disse o coordenador. Os três visitados pela reportagem são da rede do governo.


Sobre os fatos dos orientadores não terem impedido o acesso aos sites, o coordenador disse que será instaurado procedimento administrativo para investigar esse problema. A respeito do YouTube, Scaranello informou que o site é bloqueado porque não há como impedir o acesso apenas aos vídeos impróprios que estão nele. Outro problema é que o site também é pesado para o tipo de conexão usada nos telecentros.

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