Tecnologia
Por que pagar pelo leite quando se pode difamar a vaca de graça?
Quando a revista Frank chegou em Ottawa em 1989, ela praticamente detinha o monopólio das fofocas apimentadas e sátiras sobre políticos, empresários e jornalistas. Na semana passada, a revista, que costumava se deliciar com a desgraça dos outros, deixou de ser publicada.
O motivo: fofocas internas de confiabilidade variada e opiniões ácidas, os dois sustentáculos da revista, agora estão amplamente disponíveis na Internet, não apenas em blogs pessoais, mas também em sites de grandes jornais e emissoras que costumavam ser os alvos principais da Frank.
Com a circulação da revista, que já foi de 16 mil exemplares, caindo para 5 mil, Michael D. Bate, editor, e seus investidores concluíram que não havia futuro para a Frank, um quinzenal que nunca foi particularmente lucrativo.
"Foi sempre uma operação modesta," disse Bate, ex-músico, desenvolvedor de software e repórter do Canadian Press. "Quando fazíamos muito sucesso, tínhamos diversos processos. Quando não fazíamos tanto sucesso, tínhamos muitos credores."
O estilo, design e tom da Frank se assemelhavam bastante ao da revista inglesa Private Eye. Ambas abriam mão do papel lustroso em favor do papel de jornal barato e colocavam balões de quadrinhos nas fotos, freqüentemente de políticos, em suas capas.
Embora a revista fosse desprezada e lida, geralmente em medidas iguais, por muitos jornalistas canadenses, a Frank também conseguiu furos de reportagem que posteriormente receberam cobertura ampla de outras organizações de notícia. Para Bate, a maior contribuição da Frank foi ter posto um fim no que ele chama de "clube dos cavalheiros" entre os jornalistas políticos do Canadá. Segundo ele, o clube era uma aliança informal que trocava histórias pessoais embaraçosas de políticos e ao mesmo tempo evitava que elas fossem publicadas.
Para seus alvos regulares, a Frank usava apelidos internos. Conrad M. Black, ex-editor canadense agora em uma prisão na Flórida, por exemplo, era chamado de "Lord Tubby" (Lorde Gorducho). Embora Bate afirme que a revista tentava manter seu foco apenas em pessoas importantes ou influentes, ele reconhece que "espectadores inocentes, zés-ninguém" às vezes também eram alvo dos artigos. "Mas o negócio em que estávamos era assim mesmo: passar dos limites."
Por ser comparativamente difícil para editoras se defenderem em processos de difamação no Canadá, a Frank era um alvo constante deles. Isso não significa que a Frank sempre tenha sido inocente. Um juiz de Quebec ganhou um processo contra a Frank quando esta escreveu que ele havia contratado uma prostituta. Na época em que isso supostamente teria acontecido, o juiz estava em Israel com seu coro da igreja.
A Frank costumava burlar as fronteiras do bom tom. Ao final de seu mandato como primeiro-ministro, Brian Mulroney, um conservador, compareceu a diversos eventos acompanhado de sua bela filha ao invés de sua esposa, Mila. A Frank então criou uma competição de brincadeira entre os membros jovens do partido Conservador, em que o prêmio oferecido era um encontro sexual com a filha do primeiro-ministro. Mulroney mais tarde contou a um entrevistador da TV que a competição fez com que ele tivesse vontade de comprar uma arma "para causar sérios estragos a essas pessoas."
Embora Mulroney tenha deixado a política em 1993, Bate é nostálgico em relação ao seu mandato.
"Acho a política canadense tão chata, chata além da conta," ele disse. Eles são um bando de inúteis. Estamos em Ottawa, somos uma revista satírica e eu não gosto de política - então tenho um problema."
CIDADE NOVA
Vítima sofreu escoriações e foi levada ao Pronto-Socorro do Hospital Regional; acidente ocorreu nesta sexta-feira
LUTO EM AQUIDAUANA
Ela enfrentava um câncer há cerca de 10 anos; família tem forte ligação com o futebol e o Aquidauanense
Voltar ao topo