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Tecnologia

No coração do iPad, Apple aposta em chip inovador

É verdade que a tela é bacana. Mas o componente mais importante do iPad, ao menos no que tange ao futuro da Apple, pode ser o A4, o chip, do tamanho de uma unha, que serve de coração ao tablet.

Com o A4, a Apple deu novo passo para desafiar as normas do setor de aparelhos móveis. Os fabricantes de aparelhos tipicamente adquirem seus chips primários junto a fabricantes especializados de microprocessadores. Mas, no caso do iPad, a Apple optou por produzir seu próprio design - criando conexões únicas entre o chip e o software da empresa.

Essa abordagem de desenvolvimento autônomo oferece à Apple a oportunidade de construir produtos mais rápidos e com maior duração de bateria do que os rivais, e ajuda a empresa a manter em segredo o desenvolvimento de seus projetos.

Mas criar seus próprios processadores representa uma sobrecarga de custos de engenharia, para a Apple, e cria um potencial de atraso no lançamento de seus produtos, Também força a empresa a contratar - e reter- projetistas experientes de chips. Diversos deles chegaram à empresa em 2008, depois de uma aquisição, mas já saíram para trabalhar em uma sigilosa empresa recém-criada.

Se bem que especialistas do setor de chips ainda não tenham submetido o iPad aos seus testes usualmente rigorosos, as demonstrações que a Apple organizou não causaram forte impressão.

"Não vejo coisa alguma que pareça muito atraente", disse Linley Gwennap, analista de chips no Linley Group. "Não parece nada de tão novo assim, e, caso seja, eles não chegarão muito longe com isso".

Ao revelar o iPad, na semana passada, Steve Jobs, o presidente-executivo da Apple, discutiu o A4 com o seu costumeiro estilo hiperbólico. Ele elogiou o novo processador como "o chip mais avançado" que a Apple já usou, e disse que o produto era crucial para velocidade, confiabilidade e a bateria com 10 horas de duração do tablet.

"Temos um grupo incrível que faz desenvolvimento de chips especiais na Apple", disse Jobs, acrescentando que o A4 "tem tudo em um único chip, e ele é muito bom". A Apple se recusa a discutir outros detalhes sobre o processador, além das informações já divulgadas publicamente.

A Apple entrou no setor de chips por meio de uma aquisição em 2008, ao tomar o controle da PA Semi, uma empresa iniciante que tinha 150 funcionários. A companhia estava trabalhando em um chip capaz de lidar com largos volumes de dados enquanto consumia muito pouca eletricidade. Os engenheiros da PA Semi, a maioria veteranos de outras empresas do Vale do Silício, tinham exatamente a espécie de conhecimento de que uma empresa fabricante de players de música, laptops e celulares precisava.

Em termos gerais, a duração de bateria e velocidade do iPad, equipado com o A4, parecem semelhantes às de produtos acionados por chips concorrentes. Uma onda de pequenos laptops conhecidos como smartbooks chegará ao mercado pouco depois do lançamento do iPad, em março, e eles operarão com a mesma velocidade do tablet da Apple, enquanto oferecem duração de bateria de até 16 horas para uso como players de vídeo. Os smartbooks serão acionados por chips da Nvidia e Qualcomm, que têm detalhes de projeto semelhante ao do A4.

A Apple tem uma tradição de tentar derrotar seus concorrentes de maneira ostensiva. Promoveu o MacBook Air, lançado em 2008, como o laptop mais fino de todos os tempos. Ao integrar o A4 ao iPad, a empresa parece ter conquistado uma pequena vantagem sobre os concorrentes - ou ao menos mantido a paridade para com eles- nessa classe emergente de aparelhos portáteis.

"Daquilo que vimos até o momento, o produto da Apple parece estar em nível comparável aos dos concorrentes", disse Dean McCarron, analista de chips na Mercury Research. "A Apple claramente está utilizando critérios próprios de mensuração para definir o termo 'o melhor'". Os laptops e os computadores de mesa da Apple operam com chips Intel, enquanto a Samsung vende à Apple os chips primários do Analistas acreditam que a Samsung também esteja produzindo o A4, usando um projeto setorial comum para o núcleo do processador, enquanto a Apple alterou outras partes do produto de forma a atender às suas necessidades.

Os demais aparelhos da Apple, como o iPhone e o iPod Touch, podem no futuro vir a ser acionados também por chips da Apple. Os analistas apontam que em geral demora dois anos para que projetistas de chips criem um produto do zero, o testem e tenham um produto concluído para levar às fábricas.

Alguns dos engenheiros de chips que a Apple adquiriu ao tomar o controle da PA Semi parecem já ter deixado a empresa. De acordo com históricos parciais mantidos no site de emprego LinkedIn, pelo menos meia dúzia de antigos engenheiros da empresa agora trabalham para uma empresa iniciante chamada Agnilux, sediada em San Jose. A companhia foi criada por um dos principais arquitetos de sistemas da PA Semi, Mark Hayter.

Hayter e outros antigos funcionários da PA Semi que trocaram a Apple pela Agnilux não quiseram discutir os planos de qualquer das duas empresas. De acordo com duas pessoas que conhecem as duas companhias mas não quiseram que seus nomes fossem divulgados porque a questão é delicada, certos engenheiros oriundos da PA Semi se demitiram da Apple poucos meses depois da aquisição porque as opções de ações da Apple que lhes foram conferidas não portavam preços atraentes.

A Apple ainda parece determinada a realizar seus planos no setor de chips. Até mesmo os analistas que descartam o A4 como um produto sem novidade alguma dizem que a decisão da Apple de dar-lhe um nome e discuti-lo de forma pública indica que chips especializados tenham se tornado uma prioridade.

"Essa é uma área na qual a Apple acredita que possa criar um produto único, e claramente sinaliza uma nova direção para eles", disse Nathan Brookwood, analista de chips na Insight 64.

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