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Turismo

Distância preservou a vida marinha no arquipélago de Fernando de Noronha

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Arquipélago oceânico que está nos mapas há 500 anos, Fernando de Noronha (www.fernandodenoronha.pe.gov.br) dista 561 km de Recife ou 345 km de Natal --e o mar que separa suas 21 ilhas do continente foi revolto o bastante para manter intacta a natureza insólita e algo inóspita.


A temperatura média é de 27º C, e os vôos, de cerca de uma hora, ligam o continente ao aeroporto local, embora haja quem prefira ir de navio.


Só a ilha principal, que dá nome a esse arquipélago de 26 km2, é habitável; já a área de parque marinho, preservada no entorno, soma 112,7 km2.


O ambiente é rústico, e os preços, salgados: há cobrança de taxa de permanência, e a administração, que impede a ocupação próxima às praias, tenta evitar o aumento de residentes (2.000 pessoas), de construções, de veículos e de barcos.


Uma vez ali, os táxi-bugues cobram a partir de R$ 12 por corrida, as pousadas são quase todas instaladas em casas pré-fabricadas, os restaurantes cobram caro por peixadinhas triviais --mas as praias são espetaculares, os golfinhos rotadores são presença constante e a fauna submarina atrai os mais experientes mergulhadores.


Radicado no arquipélago há 14 anos, Patrick Muller, da Atlantis Divers, destaca que as pressões são grandes, mas afirma que existe um equilíbrio --"e que o turismo, vocação local, são o presente e o futuro de Fernando de Noronha."


E, falando em pressões, esse francês pioneiro em mergulhos técnicos faz, desde 1996, operações com misturas gasosas. Caso do trimix (hélio, nitrogênio e oxigênio), para incursões mais profundas, e do nitrox (ar enriquecido em oxigênio que aumenta o tempo de permanência em mergulhos de até 40 m).


Mas é imperioso lembrar que, em terra, o passado é parte do presente. Fernando de Noronha foi, sucessivamente, capitania hereditária, disputada por franceses e holandeses, colônia prisional, sede de base norte-americana na Segunda Guerra, território federal e, desde 1982, voltou a ser administrada por Pernambuco.


No norte, a extremidade é chamada de Airfrance, pois ali a Aeropostale francesa fazia escalas de seus hidroaviões nos primórdios da aviação postal. E há uma localidade chamada Italcable, onde passava um cabo telefônico que ligava o país à Itália. Na Vila dos Remédios, a principal da ilha, sinalização com imagens de época mostra Noronha em 1938. Passados 70 anos, essas ilhas, visitadas em épocas diversas por Charles Darwin e Jacques Cousteau, ainda têm muito a exibir.

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