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Turismo

Contraste entre beneficiários e investidores dá o tom no turismo

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"O Turismo já representa hoje o quarto produto do PIB nacional. Motivo de regozijo do Ministério do Turismo e de toda a cadeia produtiva integrante do setor, anunciada pela ministra Marta Suplicy, a informação chegou acompanhada por outra, igualmente interessante, a de que nada menos de 40 milhões de chineses, anualmente, cumprem roteiro de turismo internacional, embora não tenham sido revelados os destinos preferidos por eles.


O Brasil, porém, tem tudo para ser um dos países receptivos dessa pequena multidão, como igualmente poderia receber a visita de muitos dos que, a cada ano, saem em viagens turísticas em todo o mundo: segundo a Organização Mundial de Turismo, 842 milhões de pessoas em 2006. Há anos, entretanto, figuramos na posição de destino preferido de argentinos e de outros viajantes procedentes de países da América do Sul, em que pese o investimento oficial na promoção turística brasileira em outros continentes.


São, porém, recursos limitados ao orçamento da Pasta, que por sinal, cresce significativamente desde a criação do Ministério do Turismo em 2003. Para 2008 serão R$ 2,6 bilhões, contra R$ 1,8 bilhão no ano passado. Em contrapartida, por causa do câmbio desvalorizado, o movimento de turistas estrangeiros aqui anda desacelerado. Em 2007 foram 5,2 milhões de pessoas, ou seja, apenas mais oito mil do que no ano anterior, com a contrapartida do aumento do ingresso de divisas. Mas é um número que cresce muito pouco para a potencialidade do país.


Analisar os dados disponíveis sobre o movimento de turismo no País e no mundo acaba por suscitar uma série de reflexões. E uma das mais importantes diz respeito às fontes de financiamento para a promoção e divulgação do destino Brasil, tarefa que não pode ficar na exclusiva responsabilidade do Poder Público. Aliás, muito pelo contrário. Há tempos poderia ter despertado o interesse dos segmentos que mais se beneficiam dos bons resultados econômicos da atividade turística, entre os quais destaco o dos cartões de crédito, montadoras de automóveis, energia elétrica, telefonia e a Infraero, materializados em alguns bilhões de reais.


Enquanto as 92 maiores empresas do setor turístico (agências de viagens, companhias aéreas, hotéis e operadoras de turismo) faturaram R$ 34,1 bilhões no ano passado, as operadoras de cartões de crédito arrecadaram, só no primeiro mês de 2008, nada menos de R$ 16,3 bilhões (foram 214 milhões de transações, com valor médio de R$ 76,30). Evidentemente esse total refere-se a pagamentos de toda ordem. E o uso desse meio de pagamento é uma prática que só faz crescer em todo o mundo - como registra a pesquisa mensal dos Indicadores do Mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento, sob a chancela do Itaucard, que, contudo, não separa o que o setor turismo representa nesse montante.


Entretanto, segundo a mesma fonte de pesquisa, e vale o registro, enquanto o PIB brasileiro teve nos últimos cinco anos um crescimento médio de 3,2%, a indústria de cartões cresceu à razão de 20,2% em média. Esses valores sofrem um incremento significativo na movimentação registrada em São Paulo, Rio, Minas, Bahia, Ceará, DF, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Pará, as maiores do setor no País. Nesse ranking constam alguns dos estados preferidos pelos turistas, brasileiros e estrangeiros, o que apenas ratifica a necessidade de se buscar novos investidores no segmento da promoção do turismo nacional.


Esse pensamento tem respaldo no fato inconteste de que o movimento do turismo beneficia diretamente as operadoras de cartões, na medida em que pagamento com dinheiro de plástico durante viagens é sinônimo de comodidade, praticidade e segurança. Oportuno registrar que o Brasil tem 92,9 milhões de cartões, ou seja, 1,6 cartão (de crédito ou débito) por brasileiro. Somados aos 142 milhões de unidades dos cartões de loja (movimento de R$ 40 bilhões em 2007), muitos deles no sistema "open private", que permite o uso em outros comércios, nas mesmas condições do crédito original aprovado. Portanto, são 294 milhões de plásticos em circulação, de três bandeiras principais: Visa, Mastercard e American Express. Justo, por conseguinte, que esse setor mostrasse sensibilidade para o reclame atual de participar do custeio do turismo, defesa que assumo, na certeza de tratar-se de um processo de conquista e conscientização. No meu entender, a resposta dependerá do plano de ação dos gestores oficiais do segmento turismo.


Outro setor, com igual importância ao dos cartões é o das locadoras, cuja frota, em 2006, era 250 mil 204 veículos, com faturamento de R$ 3,17 bilhões. Dado interessante, e apenas ele, corrobora o ponto de vista aqui externado, de entender as razões pelas quais setores tãobeneficiados pelo turismo deixam de participar do marketing envolvendo o destino Brasil: o turismo de lazer responde por 29% do faturamento das locadoras; o turismo de negócios, por outros 17%; enquanto 54% ficam na conta da terceirização.


Pelo movimento/faturamento, outros segmentos da economia brasileira também poderiam participar dessa mobilização. É o caso das empresas de telefonia celular, hoje com nada menos de 124 milhões de aparelhos habilitados vendidos (dado de março/2008). E também o das montadoras de automóveis, que só no primeiro trimestre de 2008 produziram 783 mil carros, quer dizer, mais 19,3% do que no mesmo período no ano passado.


Claro que resultado tão significativo diz respeito ao proveito que o Brasil tira de políticas públicas, como a expansão do crédito, a manutenção das taxas de juros, a estabilidade econômica, o aumento da massa salarial e do emprego. Todavia, esse modelo de país, próspero e esbanjando riquezas naturais, de enorme diversidade gastronômica, múltiplos atrativos, produtos turísticos variados precisa desfrutar dessa condição de destino de excelência, algo que só acontecerá na medida em que conquistar parceiros de inequívoco desempenho econômico para investir e financiar o aumento da atividade turística brasileira. E eles, obviamente, se concentram na iniciativa privada".

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