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Turismo nas alturas

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Após o acidente com o padre Adelir Antônio de Carli, sacerdote que tentava bater um recorde ao voar preso a balões de festa cheios de gás hélio, o Guia da Semana resolveu apurar se é seguro ou não voar de balão.


Em contato com profissionais especialistas, descobrimos que os ventos e o mau tempo teriam desviado Carli de seu percurso, além da inexperiência e da falta de informação e preparo do sacerdote. Vale resaltar que a atitude do padre foi de total imprudência, já que não sabia interpretar os instrumentos de navagação e não tinha controle nenhum dos balões.


O passeio de balão permite uma melhor apreciação panorâmica da paisagem, com direito a fotos e filmagens de uma visão privilegiada. Ele é a escolha de muitos casais que buscam uma diferente aventura, não tão radical, mas que transmita uma sensação de leveza e liberdade. Para isso, basta um pouco de coragem e dinheiro (os preços variam entre R$ 290,00 a R$ 500,00 por pessoa).


O balonismo é considerado pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) como a mais segura atividade aérea, à frente do avião e helicóptero, com nenhum registro de acidente grave no Brasil. O primeiro vôo foi realizado por Victório Truffi, em 1970, na cidade de Araraquara.


O que reforça essa estatística é o fato de não ser qualquer um que pode pilotar um balão. "Para isso é necessário tirar um brevê (licença) junto a ANAC, que sai após aulas teóricas de navegação, conhecimento do espaço aéreo e, o mínimo de 16 aulas práticas, cada uma custando cerca de mil reais", enfatiza o dono da empresa Rubic Balões, piloto e hexacampeão brasileiro de balonismo, Rubens Rosdon Kalousdian. O piloto precisa ainda do certificado de capacidade física assinado por um médico credenciado e a licença é renovada a cada três anos.


O comandante do balão não conta só com a boa vontade dos ventos e sorte, é fundamental que uma equipe por terra acompanhe pelo GPS a trajetória, o qual nunca pousa em local fixo. Para quem interessar em se tornar um balonista, o preço para ter um é pouco acessível, custa entre R$30.000,00 (modelo simples) e R$100.000,00 (mais colorido e rico em detalhes).


Paixão parece ser mesmo o motor desses baloeiros. As empresas que oferecem os vôos são criadas, em sua maioria, por aventureiros no esporte que apostaram na idéia e não conseguiram mais largar a profissão. Um exemplo disso é Flamarion Barreto, que controla a Flat Balonismo, no Rio de Janeiro. Não só ele exerce a atividade, mas também seus dois filhos seguiram seus passos, Alan (28 anos) e Alex (26 anos). Com esse ambiente amistoso, é só ligar para marcar e você pode esclarecer suas dúvidas diretamente com o dono e piloto.


Para realizar esse passeio é preciso acordar cedo. "Voamos logo após o nascer do sol, fugindo do maior aquecimento do ar, que prejudica a navegação", afirma o piloto Luís Eduardo Consiglio, que exerce a atividade pela empresa que criou. Existe a opção de voar ao fim da tarde, a partir das 16h30, quando o clima é estável e os ventos são mais suaves, normalmente entre maio e setembro, por causa das temperaturas menores.


A escolha da empresa é fundamental para não haver dor de cabeça na hora de decolar. "Como o programa pode ser adiado devido a condições climáticas, algumas empresas não-idôneas acabam ficando com o sinal - parte adiantada - não realiza o passeio e você fica a ver navios", alerta Rubens Rosdon. Ele aconselha conhecer melhor os contratantes, pegar indicação de amigos ou ver opiniões de clientes na internet.


E no final, a maioria dos passeios são agraciados com champanhe, café da manhã ou lanche, como é o caso da Air Brasil Balonismo, que possui o maior balão da América Latina, com 16 lugares. É nesse momento que todos trocam impressões do vôo, e-mails para fotos e ouvem histórias. Fica na lembrança a sensação de um passeio único.

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