dothCom Consultoria Digital
Publicado em 05/08/2008 às 09:56
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
É uma prova de longa distância. E com uma porção de obstáculos. A começar pelas 22 horas de vôo que separam São Paulo e Pequim, sem contar o tempo de espera em escalas.
Para os 277 atletas do país que vão lutar por medalhas nos Jogos --a maior delegação brasileira da história--, a competição começa oficialmente na próxima sexta-feira (8) e só acaba no dia 24. Já para os turistas brasileiros que carimbaram o passaporte rumo à China e vão ver de perto a Olimpíada de Pequim, a disputa também exigiu preparação.
Pagaram no mínimo US$ 7.820 (cerca de R$ 12.200) pelo pacote básico de seis noites --incluindo aéreo, hospedagem e cinco ingressos- para uma viagem que alia a emoção do esporte, a aventura por um país de hábitos exóticos e a imersão em uma cultura milenar. O mais caro chega a US$ 19.890 (aproximadamente R$ 31 mil). Somente a Tamoyo, agência de turismo oficial encarregada de comercializar os bilhetes para os Jogos de Pequim, vendeu 750 pacotes de viagem.
O engenheiro civil José Manuel Fuente, 45, vai "investir" R$ 15 mil para estar lá. Não vai brigar por medalha ao comparecer em sua quinta Olimpíada. Estará, sim, disputando uma vaga de voluntário. Para tanto, treinou bastante durante dois anos, estudando mandarim, sozinho, diariamente.
A língua é um dos maiores desafios para os fãs do mundo todo que estão desembarcando na China para os Jogos. Para vencer as armadilhas do intrincado idioma e de seus milhares de ideogramas, a fisioterapeuta Maria Emília Mendonça, 52, e o seu marido, o empresário Daniel Burd, 42, contrataram a professora Tereza Hsu Yeng Ting, que em fevereiro passou a dar lições de mandarim na residência do casal, em Cotia, uma vez por semana. "A pronúncia do Daniel está muito boa", elogia Maria Emília. "Aprendemos a cumprimentar e a falar coisas básicas", diz Daniel.
Em 28 de julho, eles embarcaram em Guarulhos rumo a Hong Kong, segunda parada da viagem de 19 dias --a primeira foi Johanesburgo, na África do Sul. A aclimatação na ilha capitalista que voltou ao domínio chinês durou dois dias. De lá, mandaram fotos para a Revista. "O clima de Olimpíada envolve o ambiente", conta Daniel sobre a metrópole que vai abrigar as competições de hipismo. O primeiro "teste de proficiência" ainda não havia sido feito. "Os chineses que se cuidem, pois vou soltar o verbo", promete Daniel, que chega a Pequim na próxima quarta-feira, dia 6, para sua primeira Olimpíada.
Também marinheiros de primeira viagem, sete parentes e amigos do nadador César Cielo, 21, vão estrear no ambiente exótico dos Jogos na China. Os pais do atleta, o médico César Cielo, 50, e a professora de educação física Flávia Maria, 41, partem para Pequim na próxima quinta, dia 7. Cielo --uma das promessas do Brasil e candidato ao pódio nos 50 m livre-- é um dos poucos atletas nacionais a ter um reforço de peso nas arquibancadas. O custo bem mais elevado da viagem em comparação com os Jogos na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, fez com que poucas famílias de atletas brasileiros pudessem engrossar a torcida em Pequim.
Tão logo desembarquem, os Cielo vão começar a corrida pelos ingressos. "Nós vamos na raça conversar com os cambistas chineses", diz César, o pai, que, para ver as braçadas do filho, pagaria US$ 150 (cerca de R$ 235) pelo ingresso. Na hora da competição, este valor pode chegar a até US$ 1.000 (aproximadamente R$ 1.560), de acordo com a agência Tamoyo. A possibilidade de não assistir ao vivo ao filho competir tira a mãe do nadador do sério: "Seria muito triste estar lá e não ver o Cesão".
A comitiva dos Cielo se completa com a caçula Fernanda, 17, e um casal de amigos e seus dois filhos. O grupo conseguiu hospedagem e passagem a US$ 3.000 (mais ou menos R$ 4.690) por pessoa. Esbarrou em pacotes de US$ 7.500 (cerca de R$ 11.750), com agências inglesas e canadenses. A vantagem na largada anima a torcida de César Cielo, que só se preocupa com a culinária chinesa e seus pratos à base de barbatana de tubarão e pomba. "Recebemos e-mails dos amigos com fotos de comida bizarra", conta o analista de sistemas Sérgio Prodicimo, 49, amigo dos pais de Cielo e organizador da viagem.
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