dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/08/2008 às 08:23
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Balança horrores. Há momentos em que a gente pensa ter sido enganada: "Será que o antienjôo era placebo?". Olha-se para lá, olha-se para cá. De repente, uma fumacinha d'água no meio da imensidão do oceano é a salvação da lavoura. Todos correm para aquela direção. Dá uma sensação de que o barco vai virar. Que nada. Quando menos se espera, elas aparecem. Enormes, geralmente em dupla ou acompanhadas de um filhote. Sair para um "whale-watching" --em bom baianês, baleiada-- é uma baita aventura.
A temporada para avistar baleias começa agora na praia do Forte, no litoral norte baiano. Antes de embarcar, há uma palestra sobre educação ambiental, normas e procedimentos para observação no Instituto Baleia Jubarte, na vila dos Pescadores.
O animal procura a região para se reproduzir e amamentar seus filhotes. Afinal, aquelas águas quentinhas da Bahia oferecem condições perfeitas para que mamãe-baleia cuide do bebê-baleia com a intenção de que o bichinho engorde, ao menos, 35 kg por dia (o leite tem cerca de 40% de gordura). No comecinho de outubro, a família toda irá encarar uma longa jornada de aproximadamente 5.000 km de volta à Antártida.
No passeio de barco, várias baleias podem ser avistadas. Às vezes, são observados grupos formados por uma fêmea e dois ou mais machos envolvidos na disputa pela preferência no acasalamento. Os machos "cantam" durante a temporada reprodutiva, provavelmente com a intenção de atrair as fêmeas ou de afastar outros machos, daí o apelido de "baleia-cantora".
Não pense que o peso --elas chegam a atingir 40 toneladas, distribuídas em até 16 metros de comprimento-- seja um empecilho para essas danadas se exibirem. O espetáculo pode começar com a exposição das nadadeiras peitorais, momento em que a baleia posiciona o corpo lateralmente, erguendo e baixando, repetidamente, uma delas. Se a sua maré estiver em alta, será possível assistir ao salto. A jubarte projeta dois terços do comprimento total de seu corpo para fora da água, com rotação total ou parcial.
Sem contar a clássica cena em que ela fica com a cauda parada. Segundo o biólogo Clarêncio Baracho, 33, pesquisador do Instituto Baleia Jubarte, esse é um comportamento característico da população brasileira dessa espécie que ocorre muito raramente em outras áreas do mundo. A baleia se posiciona de cabeça para baixo por até 15 minutos.
"De todas as espécies, a jubarte é a mais acrobata das baleias", diz. Mas nem mesmo os estudiosos sabem ao certo o motivo de elas fazerem tais evoluções. "Pode ser uma forma de comunicação, uma maneira de ela se livrar de ectoparasitas ou simplesmente uma manifestação de felicidade." Uma coisa é certa: observadores de todas as idades e nacionalidades vão ao delírio com o espetáculo.
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