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Hospitais investem para transformar SP em pólo de turismo de saúde

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O designer londrino Josh Jr., 28, curtiu o penúltimo dia de férias batendo perna na Oscar Freire. A tarde de compras fechou um roteiro que incluiu o recém-inaugurado shopping Cidade Jardim. Ele visitou ainda a Pinacoteca, o Masp, o Museu da Língua Portuguesa e o MAM, além de assistir a um musical e a duas peças.


Não se trata de um mero visitante explorando as opções culturais e de compras em São Paulo. Ele gastou em média US$ 1.100 por dia na cidade, quase dez vezes mais que os US$ 120 de um turista comum. O destino principal de Josh nos 20 dias que esteve no Brasil foram os consultórios médicos.


Josh escolheu São Paulo para um tipo de turismo que metrópoles de todo o mundo disputam ferreamente: o de saúde. A Organização Mundial de Turismo (OMT) projeta que o segmento deve movimentar cerca de US$ 60 bilhões, entre 2012 e 2015. O Brasil entra nessa briga contra gigantes como a Tailândia, uma das líderes do setor, que chega a faturar US$ 500 milhões por ano com o turismo médico.


"Os profissionais brasileiros são mais atenciosos que os de Londres", compara Josh, que fez check-up com cinco especialistas. O primeiro foi um ortopedista para cuidar de um antigo problema no joelho.


No oftalmologista, foi avisado de que precisava de lentes novas. Do dentista ouviu que não era o caso de fazer clareamento nos dentes, mas de uma simples limpeza. Passou ainda em uma dermatologista. Acabou no centro cirúrgico. Fez uma rinoplastia, operação plástica de nariz que vinha planejando há anos.


Consultas, exames e cirurgias foram o programa de férias de cerca de 50 mil estrangeiros que desembarcaram no país em 2006. Faltam estatísticas atualizadas, mas o aumento no número de pacientes estrangeiros é confirmado pelo movimento em hospitais e clínicas paulistanas que desfrutam de excelência internacional. O Hospital Israelita Albert Einstein, que em 2006 atendia cerca de 200 pessoas vindas do exterior por mês, neste ano, viu a média subir para 300.


Para receber uma clientela exigente e disputada, São Paulo começa a acordar para a profissionalização do turismo médico. Josh, por exemplo, saiu de Londres assessorado pela Prime International, empresa especializada no receptivo de estrangeiros em busca de atendimento médico fundada em 2006. "Eles resolveram todos os meus problemas", conta Josh.


Recebido no aeroporto de Guarulhos por um funcionário da Prime, logo no desembarque, ele ganhou um celular habilitado para seu uso exclusivo durante a temporada turístico-hospitalar. Pelo telefone, Josh recebia informações sobre o horário das consultas pré-agendadas pela empresa. Ficava sabendo quando o resultado de cada exame saía do laboratório para a mesa do médico. "Contratei uma espécie de mãe", diz ele, que desembolsou R$ 400 pelo serviço, fora os extras com motorista e enfermeira particular.


Josh deixou no país um total de US$ 22 mil, se computados todos os gastos --de ingressos para shows aos custos médico-hospitalares e de hospedagem. Entre uma consulta e outra, o turista/paciente cumpriu um roteiro personalizado. O receptivo fez todas as reservas, comprou ingressos (entregues no hotel) e providenciou transporte na hora marcada. "Recebi os ingressos de 'Miss Saigon' no quarto", agradece Josh.


A Prime é uma das pioneiras desse novo setor. A empresa oferece atendimento 24h para socorrer o cliente em qualquer situação, com enfermeiras bilíngües, chefs de cozinha (para dietas especiais) e até segurança particular. "A pessoa viaja pensando na cirurgia e não precisa de outras preocupações", resume Mariana Palha, coordenadora da Prime, que atende uma média de 12 pacientes por mês.


De olho no potencial desse nicho, há dois anos, a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) firmou parceria com seis instituições brasileiras para divulgar no exterior o setor de saúde. Entre os participantes do Consórcio Saúde Brasil estão os hospitais Samaritano, Sírio-Libanês e HCor. Foram gastos R$ 1,3 milhão em propaganda.


O Sírio-Libanês investiu outros R$ 1,6 milhão na criação de uma divisão para estrangeiros. A aposta tem garantia de retorno: esses pacientes já representam 5% do caixa do hospital deste ano, contra 0,5% em 2007. Já o Hcor investiu no quadro de funcionários e viu as internações de estrangeiros crescerem 83% em 2008. Tem uma hostess para atendê-los. A instituição cadastrou as habilidades em línguas de todos os seus funcionários da área de segurança à enfermagem.

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