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Parada gay de Salvador reúne 400 mil, diz PM

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A Sétima Parada do Orgulho Gay de Salvador, capital da Bahia, reuniu cerca de 400 mil pessoas na tarde deste domingo (14). A estimativa é da Polícia Militar. Vestidos com roupas coloridas e fantasias, gays, lésbicas, travestis e transexuais fizeram um desfile animado ao som de música eletrônica e hits do axé, forró e pagode, do Campo Grande à praça Castro Alves, no centro da cidade.


O evento, realizado pelo Movimento GLBTT da Bahia, atraiu simpatizantes de todos os estilos e idades. Além de jovens e adultos, centenas de adolescentes foram conferir de perto as apresentações de transformistas num palco armado na praça Dois de Julho e também apreciar o som dos 11 trios elétricos, que formaram uma enorme fila antes da saída do desfile.


Idosos também apreciaram o colorido e a irreverência dos participantes da parada gay. O aposentado Marlon Esteves, 74 anos, disse que o preconceito não deve ter espaço no mundo atual. "Discriminar é sinal de retrocesso. Demoramos tanto para alcançar um estado democrático e, portanto, devemos respeitar as opções sexuais", afirmou.
 
Foi em defesa do respeito às opções sexuais e no combate à homofobia que o Grupo Gay da Bahia (GGB) instituiu o tema "Homofobia Mata! Seu voto vale sua vida" para a parada do gay deste ano, que teve também caixões cobertos com bandeiras pretas para protestar contra a violência antigay. Segundo dados do próprio GGB, a Bahia é o Estado líder no Ranking Brasileiro da Homofobia.


"O número de homossexuais vítimas de crimes homofóbicos este ano já chega a 16, contra 18 assassinatos em todo o ano de 2007", disse o presidente de honra do GGB, Luís Mott. Em todo o Brasil, segundo ele, os crimes chegam a 122, contra 155 no ano passado. Um gay nordestino corre 84% mais risco de ser assassinado do que os do Sul e Sudeste.


Para o cabeleireiro João Carlos Patrício, "a discriminação e a cultura machista são aspectos que favorecem a violência contra os homossexuais". Ele conta que, neste domingo, quando saiu de casa para participar da parada gay, notou que algumas pessoas o olharam com ar de desaprovação.


FANTASIAS E 'CAMAROTE'
Durante o desfile, go-go boys que desfilaram nos trios elétricos, com seus corpos másculos, chamaram a atenção de mulheres que beiraram a histeria, e dos homossexuais que acompanhavam o desfile. Travestis e transexuais também deixaram alguns marmanjos de queixo caído. Fantasiados de mulher-gato, odaliscas, sereias, ou usando lingeries e roupas ousadas, deram um toque especial ao evento baiano.


Em muitos trechos da avenida Sete de Setembro, as sacadas de apartamentos e casas se transformaram em camarotes. Foi o caso do apartamento quarto-e-sala da enfermeira Luciana Rego: mais de 30 pessoas lotaram os cômodos desde as 12h deste domingo. "Já estou acostumada. É assim no Carnaval e está sendo assim também nas paradas gay", disse.

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