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Turismo

As mais belas rotas do Brasil

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Para quem crê na máxima de que a verdadeira viagem está no caminho, e não na chegada, escolhemos cinco roteiros. São lugares que apresentam diversidade tanto de paisagem como de cultura, tudo numa mesma rota.
 
A Rio Santos, no banco do carona
Dirigir na mais bela estrada litorânea do país é ótimo. Melhor ainda, viajar sentado no banco de passageiro para apreciar com calma a paisagem.
 
Por mais que você goste de dirigir, procure ficar no banco do passageiro na sua próxima viagem pela Rio Santos. Ver a paisagem integralmente, sem se preocupar com o tráfego, faz toda a diferença nessa via oficialmente, ela é a SP-055, em São Paulo, e a BR-101, no Rio de Janeiro. No trecho de 380 quilômetros entre Guarujá (SP) e Angra dos Reis (RJ), praias de todos os tamanhos, formatos e tribos: urbanas no Guarujá, descoladas em São Sebastião, selvagens em Ubatuba e Ilhabela e isoladas nas ilhas entre Paraty e Angra. Em comum, a presença da Mata Atlântica e, nas praias da costa, o contorno da Serra do Mar, ambos invadindo as curvas da estrada.


A primeira parada inevitável para quem vai no sentido São Paulo Rio é na Costa dos Alcatrazes, a regido de São Sebastião entre Barra do Una, Barra do Sahy, Juqueí, Camburi, Boiçucanga e Maresias. Conhece todas? Pois então, explore as Ilhas, a 20 minutos de barco do Sahy.


Quer sossego com estrutura? Estacione na Lagoinha. De volta estrada, depois de Paraty, termine a viagem numa das ilhas de Angra dos Reis, as pequenas, com seus resorts e mansões, ou na selvagem Ilha Grande, cenário de cinema.
 
De Jeri a Lençóis, sem estrada
O caminho entre Jericoacoara (CE) e os Lençóis Maranhenses (MA) não tem estrada. Nem sequer uma rota única, definida ou sinalizada.


A ligação entre esses dois pontos, isolados por eles mesmos, é uma aventura que só pode ser feita num veículo com tração nas quatro rodas, em passeio que pode ser contratado em Jeri mesmo. Quem se aventura nessa "não-estrada" descobre um dos recantos mais selvagens do país. São cerca de 400 quilômetros passando por praias com pinta de cartão-postal, mata virgem repleta de fauna e dunas de areia alvíssima.


Primeiro, Jericoacoara. Aqui você pode contratar o jipe e o jipeiro para a viagem. Mas nada de pressa. Nesse pedaço no extremo oeste cearense, o mar de cor verde intenso típico dessa costa combina com lagoas de água doce e gigantes dunas. Será impossível, ou tolo, fazer a viagem Jeri-Lençóis sem ficar pelo menos dois dias aqui.


Para ir do Delta do Parnaíba a Barreirinhas, no Maranhão, um bom trecho de asfalto precede os terríveis quilômetros finais antes dos Lençóis Maranhenses. Terríveis para o carro, que fique claro: são buracos, dunas, lagoas, lodo e até um mangue fossilizado no caminho. Vilas engolidas pelas dunas são a prova real da dureza da região. Mas o desgaste do visitante, se houver, vai se desfazer na paz dos Lençóis, nas suas dunas de areias brancas e em seus lagos de água doce de cor esmeralda.
 
Beleza condensada
A estrada que liga Nova Petrópolis, Gramado e Canela, as cidades mais alemãs da Serra Gaúcha, é curta. Mas cada quilômetro é um encanto.


A distância entre as cidades de Nova Petrópolis, Gramado e Canela é pequena 46 quilômetros ao todo. No trecho entre Gramado e Canela, de 6 quilômetros, nem dá tempo de colocar a quinta marcha. Mas é devagar mesmo que esse caminho, enfeitado de hortênsias e cheio de referências a colonização alemã, merece ser feito. A concentração de cafés, restaurantes italianos, suíços e alemães, museus, parques temáticos, lojas de chocolate, de decoração e de móveis de madeira é única no país. Isso sem falar da paisagem, com vales e serras no horizonte, como o Vale do Quilombo, na curta viagem entre Gramado e Canela.
 
A menos conhecida das três cidades é Nova Petrópolis. Isso já diz algo a seu respeito: é a menos movimentada e também a mais original. Nova Petrópolis tem ótima comida germânica, um café colonial ainda autêntico e dezenas de malharias. E também uma cidade florida, que respira no Parque Aldeia do Imigrante e no gostoso Labirinto Verde, ambos ao largo da avenida principal, uma continuação da estrada que vem (ou vai) para Gramado.


A maior e a mais famosa do trio, Gramado tem para todo mundo: restaurantes e hotéis de primeira, belos parques públicos, cafés, chocolates e banquinhos de praça para simplesmente parar e admirar o movimento dos mais intensos do país no inverno e durante o Festival de Cinema, na segunda semana de agosto. Já Canela ganha pela natureza, tanto na beleza da Cachoeira do Caracol, com 131 metros, como pelos parques Floresta Encantada e Da Ferradura. A grandiosidade das áreas verdes contrasta com o centro de Canela, pequenino e charmoso, uma espécie de resumo de tudo o que você encontra nessa região, realmente diferente de qualquer outra do país.
 
Na pista certa
Do alto, o traçado da estrada que desce a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, parece ser só um desenho na montanha. Soa impossível que as linhas sejam de asfalto e que os carros passem ali, curva após curva, entre os paredões e o abismo. Esse trecho da SC-438, de Bom Jesus da Serra a Lauro Müller, tem só 15 quilômetros e é a cereja do bolo da região mais fria do Brasil. Para chegar aqui, é preciso passar por São Joaquim, onde a neve costuma aparecer entre junho e agosto.


Devido ao clima sempre nevoado, a paisagem da estrada fica mais evidente durante a manhã. Suba e desça para sentir a diferença no cenário. Recomenda-se também voltar a noite ao mirante, a 1460 metros de altura, para apreciar as mesmas curvas com iluminação. Depois, vá esquentar-se com os produtos locais, o frescal (um tipo de carne-de-sol), o pinhão e a maçã. São Joaquim, vale ressalvar, ainda tem pouca estrutura turística, com só um punhado de restaurantes. Por isso, é prudente planejar a estada para não deparar com portas fechadas. Depois de passar pelo Rio do Rastro, fique ainda mais atento: na Serra do Corvo Branco, em Urubici, a estrada é ainda mais alucinante que sua vizinha mais conhecida. No trecho mais impressionante, são 5 quilômetros em terra com paredões de pedra, curvas de ângulos impossíveis, penhascos e uma paisagem de montanha rara no país que pode, inclusive, ficar coberta de neve durante o inverno.
 
Um vôo pelos trilhos
O trem faz curvas bem fechadas. Praticamente cola nos paredões de pedra e na Mata Atlântica. Até que, de repente, acontece: por alguns instantes, ele parece ficar solto no ar, e todos prendem a respiração. Assim é a passagem do Viaduto Carvalho, que, por ser apoiado num rochedo, desaparece sob os trilhos da ferrovia.


A viagem de trem entre Curitiba e Paranaguá provoca arrepios desde 1885, quando foi inaugurada visando a integração entre capital e litoral paranaenses. Na época, causava ainda mais calafrios, com a lembrança de que mais de 4 000 operários morreram durante os cinco anos de sua construção. A obra foi mesmo ousada: são catorze túneis, trinta pontes e viadutos. Desativada durante algumas décadas, a tinha foi retomada no final dos anos 90 com passeios turísticos. São dois trens diferentes: o convencional, com classe econômica e turística e um camarote para seis pessoas, e a litorina, trem com grandes janelas panorâmicas, ar-condicionado e serviço de bordo, que inclui bebidas e lanches. Vale a pena investir num passeio na litorina para curtir a vista espetacular.

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