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Ponte de concreto no Pantanal ligará Nhecolândia a Paiaguás

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Pecuaristas que residem em Corumbá, que possuem propriedades rurais no Pantanal, na região Paiaguás, situadas a 40 quilômetros, tem de percorrer mais de 800 quilômetros por terra até a sede das fazendas. Os produtores são obrigados retornar por Coxim, seguir pela BR-163 até Campo Grande, continuar o percurso pela BR-262, até chegar finalmente ao destino. Mesma trajetória eles são obrigados a fazer no sentido inverso, principalmente quando envolve o trânsito de caminhonetes, carregadas com peças e insumos agrícolas, bem como deslocamento de tratores.


Esse é apenas um exemplo das inúmeras dificuldades enfrentadas pelos fazendeiros e famílias ribeirinhas do Pantanal, onde são criadas mais de 3 milhões de cabeças de boi. A maior parte das propriedades rurais, que produzem gado de corte estão localizadas na região de Paiaguás e Nhecolândia, margeando o Rio Taquari, onde anualmente são criadas em torno de 1,5 milhão de bovinos. As duas regiões representam 39% de todo Pantanal, incluindo a área situada do lado paraguaio e em Mato Grosso.


A obra


Preocupado com essa barreira geográfica da região, o governo do Estado está construindo uma ponte de concreto sobre o Rio Taquari, que vai interligar as duas regiões e representa a mais importante obra de engenharia já realizada no coração do pantanal sul-mato-grossense. Antes de autorizar a execução do projeto, o governador André Puccinelli vistoriou a área e conversou com fazendeiros da região e famílias ribeirinhas, constatando o grau de importância da obra para garantir o desenvolvimento de duas regiões, que sempre tiveram papel decisivo no fortalecimento da economia do Estado.


Além da importância rodoviária, a ponte ligando as duas regiões representa oportunidade de maior integração das famílias de ribeirinhos, pecuaristas e funcionários das fazendas, que poderão atravessar o Rio Taquari, realizar transações comerciais, bem como fazer visitas a amigos e parentes, o que antes era possível somente de barco. O atendimento aos estudantes da zona rural também será mais ágil, melhorando significativamente o transporte escolar.


A obra, orçada em R$ 1,8 milhão, iniciou no segundo semestre de 2008 e a previsão é que seja concluída até o final deste ano. Segundo a Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul - Agesul cerca de 50% dos trabalhos já foram concluídos. A ponte terá 168 metros de extensão e 4,80 metros de largura e está localizada a 134 quilômetros de Coxim. A edificação servirá de base para que nos próximos anos, dependendo de estudos técnicos, o governo construa estradas que vão interligar as rodovias MS-214, MS-228 e MS-0423.


Importância


"Essa obra finalmente vai ligar as duas regiões pantaneiras mais importantes do Estado, incentivando aumento da produção pecuária", destaca Nilson de Barros, coordenador da Escola de Qualificação Rural da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e vice-presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica. Ele lembra que os produtores, devido a falta dessa infraestrutura, já enfrentaram vários prejuízos, com morte de animais e acidentes envolvendo os peões.


"Os produtores destas duas regiões chegam a gastar até 30 dias para levar o gado até o local de abate. Com a ponte, o tempo será reduzido em aproximadamente 10 dias", exemplifica Nilson de Barros. Ele lembra que as comitivas hoje passam pelo centro de Coxim, causando transtornos para moradores e comerciantes, e seguem pela BR-163, impedindo o trânsito de veículos e caminhões, mobilizando inclusive a Polícia Rodoviária Federal, com o objetivo de evitar acidentes fatais. Muitas boiadas chegam a passar de madrugada pelas ruas centrais da cidade, incomodando moradores da região. Com a ponte que será entregue pelo governo do Estado, boiada pelo centro de Coxim, será coisa do passado.

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