dothCom Consultoria Digital
Publicado em 20/05/2009 às 11:34
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Uma antiga moradora do Morro Santa Marta, em Botafogo na Zona Sul, observava, da janela de sua pequena casa, na semana passada, um grupo que caminhava pelos becos da favela falando uma língua estranha.
Tranquilizada pelos policiais, descobriu que não eram "alemães", como os traficantes que dominavam a área se referiam aos rivais de outras favelas, mas turistas israelenses, indianos e franceses que visitavam a primeira comunidade contemplada com o projeto de policiamento comunitário implantado pelo governo do estado.
"Eles (moradores) olhavam assustados para aquelas pessoas, que nunca estiveram ali, mas logo entenderam que estavam ali para conhecer o êxito do projeto que pacificou uma comunidade que era dominada pela violência do tráfico. Foi mais uma demonstração de atenção. Ficaram felizes, já que não são mais tratados como bichos ou pessoas à margem da sociedade", explica a capitã Pricilla de Oliveira, comandante da Companhia de Policiamento Comunitário do Santa Marta.
A oficial que, à frente do projeto piloto de uma nova postura da PM, foi elogiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Sérgio Cabral virou referência do modelo que será adotado também nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, Zona Sul, e já está sendo implantado nas favelas do Batan e Cidade de Deus, comunidades da Zona Oeste.
Popular na área, Pricilla passou a receber pedidos de moradores de classe média alta para visitar o Santa Marta. "Duas senhoras do Jardim Botânico e outras de Botafogo pediram para subir o morro e conhecer a comunidade. Ficaram deslumbradas com a vista. Daqui é possível ver a Lagoa Rodrigo de Freitas, a Enseada de Botafogo, o Pão de Açúcar e o Cristo. É uma visão privilegiada", conta a capitã, de 31 anos, 11 destes dedicados à Polícia Militar, e que desde novembro comanda 120 policiais.
Pricilla trabalhou quase dois anos em um dos batalhões que enfrentou os confrontos mais violentos com traficantes, o 16º BPM, em Olaria, no subúrbio. Da localidade, com mais de 400 mil habitantes, incluindo o conjunto de favelas do Alemão, ela passou a chefiar soldados novatos que saíram da academia direto para participar do policiamento no Santa Marta, com cerca de 10 mil moradores, sob o argumento de que estariam livres de qualquer suspeita de envolvimento com o tráfico.
Como está sendo feito no Chapéu Mangueira e Babilônia, a ocupação contou com apoio de companhias especializadas da PM e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para afastar a presença ostensiva de traficantes e apreender armas e drogas na comunidade. O projeto prevê a presença permanente dos "policiais comunitários" e instalação de programas sociais de educação, esporte, saúde e oferta de emprego para os moradores.
"A concepção do projeto é que os policiais sejam preparados para atuar nessas áreas, fazer patrulhamento urbano com técnicas de abordagem e manter bom relacionamento com os moradores. Para isso, eles estão recebendo treinamento específico e participando de palestras ministradas por oficiais", afirma o tenente-coronel Edson Almeida, comandante do 19º BPM (Copacabana), que acompanha a implantação do projeto nas duas comunidades do Leme.
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