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Turismo

'Anticidade', deserto da Jordânia vira área de festa para turistas

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Não há prédios, não há poluição sonora nem do ar, há pouquíssimos carros e pessoas, e por todos os lados se vem o horizonte. O silêncio e a escuridão tomam conta da noite, permitindo ver estrelas como se se estivesse em planetário. O deserto é a anticidade. Um ambiente que foi adaptado e agora recebe visitantes que tentam se aproximar da experiência cotidiana de nômades, mas com um mínimo de conforto e sem passar pelas dificuldades reais de quem tem que viver ali.


A região de Wadi Rum, ao sul da capital da Jordânia, Amã, tem 720 quilômetros quadrados e é coberta apenas por areia e blocos de rocha. A área, que foi visitada pelo G1 durante a visita ao país para acompanhar a peregrinação do Papa Bento XVI ao Oriente Médio, é preservada pelo governo, e as visitas são coordenadas por um centro que recebe os visitantes que chegam ao local e os encaminham aos locais de camping, ou em hospedarias ao estilo beduíno, dos nômades que vivem nos desertos do país.


A ideia tradicional que se tem do deserto cobre quase todo o país, na verdade. Com poucas reservas de água doce, a Jordânia é um dos cinco países mais secos do planeta, e quase todas as rodovias que a cortam de norte a sul atravessam vazio, areia e calor. Há poucas árvores ou lavouras.


Mas o vazio, o nada, o deserto quente e seco que normalmente é visto apenas como um fardo para os países dessa região do Oriente Médio se converteu em atração turística. Na busca por atrair visitantes de outros países e reforçar sua economia, explorar o grande deserto foi uma das formas encontradas pelo governo para reforçar o turismo no país.


Desde o centro de recepção de visitantes, onde termina a estrada que leva ao deserto, partem caminhonetes levando pequenos grupos de turistas. O caminho é pelo meio da areia, parando uma ou outra vez para observar paisagens mais marcantes, ou para subir em dunas e ter vistas mais impressionantes.


Por toda a área, se espalham pequenos acampamentos montados com tendas de tecido feito com pele de camelo e dromedário. Eles reproduzem a forma como viviam os nômades, mas com adaptações para manter um certo nível de conforto para os visitantes, como uma cama com colchão, travesseiro e cobertor para cada pessoa, além de banheiros relativamente bem estruturados.


À noite, após o passeio por dunas e rochas, os anfitriões, a maioria jordanianos que moram em cidades próximas e que trabalham se passando por beduínos, servem um jantar tradicional, tocam músicas, cantam e conversam. Ainda no esquema de agradar aos visitantes e se adaptar a suas "necessidades", eles permitem aos turistas que levem suas próprias bebidas alcoolicas, para ajudar na diversão e no combate ao frio -o lugar pode registrar temperaturas negativas durante a madrugada, mesmo em pleno verão.


O jantar servido tradicionalmente é um carneiro preparado debaixo da terra. Em um tonel enterrado e com brasas no fundo, que é lacrado e coberto com areia, são colocados os pedaços de carne, que ficam assando por muitas horas nesse ambiente abafado e quente, ficando macia e com um sabor levemente defumado. Ainda pensando no conforto dos visitantes, que podem ter gostos variados, os beduínos servem também pedaços de frango preparados junto com o carneiro, além de legumes e arroz.


A influência e a presença de ocidentais na região fazem com que o clima da noite do deserto seja de festa, com bebidas e músicas improvisadas em cada acampamento. Para a maioria, a visita dura apenas uma noite, e no dia seguinte é possível ir a um hotel mais estruturado nas proximidades (seja em Petra ou em Aqaba) para tomar um banho que livre da areia que fica no corpo e dormir numa cama confortável e com ar condicionado.

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