Algo que começou com uma aventura de criança, há 15 anos, se transformou em paixão por viagens e rendeu uma série de histórias curiosas para Rodolfo de Freitas Galassi, 27 anos. Ele pratica cicloturismo, uma modalidade que consiste em viajar utilizando uma bicicleta como meio de transporte.
Nascido em São Paulo-SP, Rodolfo descobriu a paixão pelas bicicletas aos 12 anos, quando resolveu pedalar da casa do pai, na capital paulista, até a residência da mãe, em Vitória-ES. Com um detalhe: ninguém sabia dos planos do garoto.
“Fugi da casa do meu pai e, depois de 25 dias e mais de 1.000 quilômetros percorridos, cheguei na cidade onde mora minha mãe. Ela nem acreditou quando eu contei, foi uma bronca daquelas”, relata, às gargalhadas.
Ciente do perfil aventureiro do filho, ela deu R$ 100,00 para que o mesmo voltasse, de ônibus, para a casa do pai.
No entanto, mesmo com a orientação da mãe, Rodolfo não pensou duas vezes na possibilidade de pedalar mais um pouco pelas estradas do país. Guardou o dinheiro e não abriu mão da bicicleta para voltar à casa do pai. O então adolescente, ainda com escasso conhecimento do trajeto, acabou se perdendo pelo caminho e foi parar no estado de Minas Gerais, onde passou por Belo Horizonte, Três Corações, entre outras cidades da terra do pão-de-queijo.
Desde aquela época, Rodolfo não parou mais e se transformou em uma referência brasileira de cicloturismo. Atualmente, já deu nove voltas no Brasil e percorreu outros 16 países, consolidando-se como recordista brasileiro na modalidade. Ele já visitou quase todos os países da América do Sul, onde viveu experiências marcantes. “Quando eu estava no Chile, no começo deste ano, houve aquele terremoto horrível. Até agora, lembro das pessoas desesperadas, correndo e pedindo ajuda”, conta.
O terremoto, porém, não foi a única experiência negativa do cicloturista. Com tantos quilômetros viajados, ele diz que já foi atropelado, assaltado, ficou sem comer, entre outras dificuldades.
Apesar disso, as experiências positivas são maiores e deixam Rodolfo ainda mais animado para os novos desafios. “Já desci uma montanha de gelo enorme, aqui na América do Sul, com um percurso de mais de 70 quilômetros. Estava com cinco calças e três blusas de frio, mas valeu a pena, foi incrível”. Tantas roupas são um desafio a mais em um trajeto desse tipo, se for levado em conta que, somando todos os equipamentos, Rodolfo carrega mais de 90 quilos na bicicleta.
Em média, ele pedala de 100 a 200 quilômetros por dia. No tempo que sobra, coloca em prática outra paixão, a música, e trabalha como DJ. No entanto, faz questão de ressaltar que não pensa em parar com o cicloturismo. “Ainda tenho muitos objetivos no esporte. Quero entrar no Guinness Book (Livro dos Recordes) como o cicloturista com mais quilômetros percorridos. Além disso, pretendo visitar o Alasca, a África do Sul e vários outros países".
Conhecer outros lugares é a realização de um sonho para Rodolfo, que aproveita para destacar as belezas da região pantaneira. “Estou gostando muito de Aquidauana, a cidade tem lugares bem bonitos, e as pessoas estão me recebendo bem. A região do Pantanal é incrível, nunca vi uma fauna tão variada como aqui”.
As aventuras do cicloturista são registradas em um enorme álbum de fotografias, onde há inúmeras fotos dele com artistas e autoridades. Em meio ao álbum, é possível encontrar até uma foto de Rodolfo com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Tantas histórias renderam matérias em vários canais de televisão, como a Rede Globo, o SBT e a Bandeirantes, além de diversos vídeos que podem ser conferidos no site Youtube.
Feliz com o reconhecimento, Rodolfo ressalta que a prática do cicloturismo requer vários cuidados, como revisão constante da bicicleta, equipamentos adequados e atenção redobrada nas estradas. E lembra que a modalidade é ótima para quem gosta de novas aventuras, como ele bem descobriu quando era garoto.