Um projeto pioneiro veio para comprovar que as terras sul-mato-grossenses também podem servir para uma boa produção de vinho. E para iniciar os trabalhos, o distrito de Camisão acaba de ganhar a primeira plantação vinícola em todo o estado de MS – isso bem no meio do Pantanal.
Situada entre a Serra Santa Bárbara e o Morro do Chapéu, na região pantaneira, a ideia da implantação de uma vinícola não ficará só na fabricação de vinhos, mas também em trazer o enoturismo "de verdade" a Mato Grosso do Sul – segmento turísitco que se baseia na viagem motivada pela apreciação do sabor e aroma dos vinhos, além das tradições e culturas locais.
Morro do Chapéu destaca o lindo cenário natural da vinícola (Foto: Reprodução/Instagram)Quem conta os detalhes por trás dessa proposta ambiciosa é o proprietário Gilmar França, 48 anos, idealizador da Terroir Pantanal Wine & Beer.
"Esse projeto inédito está sendo feito com muito profissionalismo. Contratei um consultor chileno – que hoje vive no Brasil – e toda uma equipe de pessoas envolvidas. Os vinhos terão essa identidade do Pantanal, a simplicidade com a riqueza cultural da região", garantiu o dono em entrevista ao site Campo Grande News.
Além de vários tipos de vinhos – das uvas syrah, chenin blanc, cabernet sauvignon, sauvignon blanc, marselan e outras de mesa –, Gilmar confirma que também haverá produção de espumantes e de cervejas artesanais.
Gilmar França plantando a primeira muda em sua propriedade (Foto: Reprodução/Instagram)"É pra ser um local com várias opções de lazer, um roteiro de enoturismo. Terá espaço para as pessoas poderem fazer passeios de bicicleta, trilhas, degustação, piquenique, tudo dentro do turismo susentável", reforça Gilmar, que pretende oferecer também passeios de triciclo e a cavalo.
Para que o projeto saísse do papel, o empresário, natural de Goiás, rodou o mundo atrás do conhecimento necessário para adaptadar a produção ao clima local. De Toscana, na Itália, até os vizinhos Argentina e Chile – com direito a passagem por uma vinícola no deserto do Atacama –, Gilmar conheceu diversas culturas e aprendeu sobre as tecnologias que seriam necessárias.
“Conheci a maneira de cultivo chamada vinho de inverno ou de dupla poda. Basicamente, se inverte o período de plantio e de colheita. Ao redor do mundo, a uva começa maturar no final do ano, que é um momento de amplitude térmica, ou seja, sol durante o dia e frio à noite, e ausência de água. Nessa época, isso aqui seria um desastre, então, o período em que a uva é plantada aqui é em julho, para que ela possa estar pronta para a colheita no inverno seguinte”, afirma.
Boa parte da estrutura do local já está montada, incluindo a área plantada em si, que conta com mudas de videiras importadas da Itália. As plantas passam um ano na terra natal sendo fortalecidas antes de chegarem já com maior resistência ao Brasil.
A expectativa, portanto, é de que a primeira colheita seja feita no próximo inverno, ainda que inicialmente modesta, e muito em breve aquidauanenses e turistas de todo o país poderão degustar um legítimo vinho pantaneiro.
(Com informações do Campo Grande News)
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