28 de janeiro de 2021
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Turismo

Favelização ameaça estâncias turísticas no interior de São Paulo

19 NOV 2007 - 15h02min
uol

Pequenas cidades turísticas do interior de São Paulo, quase todas com índices invejáveis de desenvolvimento social, já enfrentam graves problemas habitacionais. A exemplo do que ocorreu no litoral, o fluxo de turistas atrai também a migração, principalmente de mão-de-obra desqualificada. Sem acesso a moradias, famílias levantam barracos em áreas públicas e até de preservação ambiental, como em Campos do Jordão, onde a Justiça mandou cortar água e luz de casas em área de risco.


Favelas surgem até em municípios com menos de 20 mil habitantes. Do alto do Morro do Cristo, que se eleva a 1.200 metros na área urbana de Águas de Lindóia, a 170 quilômetros de São Paulo, a vista é deslumbrante. Mansões em estilo europeu e hotéis de luxo despontam entre belos sobrados nas encostas verdejantes. A fama das águas medicinais que jorram de cinco fontes, aliada à paisagem, transformou a estância hidromineral num pequeno paraíso: os 15.800 moradores usufruem altos índices de qualidade de vida. O observador mais atento descobrirá, porém, perto de um resort internacional e do famoso balneário, 48 barracos.


Moradores procuram esconder a existência da favela. "Aqui não tem isso", garante o comerciante José Paulo de Castro. Diante da insistência do repórter, admite: "Tem alguns barracos lá na Caixa d?Água, mas o acesso é ruim." Depois, reconhece: "Dá vergonha, uma cidade bonita, com tanta gente bem de vida e os coitados lá."


Os 205 moradores - 62 crianças - vivem sem água encanada nem coleta de esgoto. Uma única fonte de energia atende a todos os barracos. "A gente nem tem chuveiro, mas paga quase R$ 100 por mês da conta de luz", diz Maria da Paz de Souza, de 34 anos, que mora num barraco de 12 metros quadrados com o filho, de 6. O marido trabalha num frigorífico na vizinha Itapira. A família veio de Paraibuna (CE), como a maioria dos moradores. "A gente não tinha onde morar e veio para o morro."


LIXO E ESGOTO
Barracos ocuparam primeiro a estrutura abandonada do que seria uma engarrafadora de água mineral da prefeitura. O espaço ficou pequeno e a favela cresceu para fora. A água é apanhada em baldes de uma única torneira. Lixo e esgoto são lançados morro abaixo e poluem a reserva ambiental. "Já pedimos a coleta de esgoto, mas dizem que não pode porque é área invadida", conta o ajudante de pedreiro Francisco Ricardo, de 20 anos. A faxineira Paula Francine, de 23, é uma das poucas que têm emprego, numa casa de família. Ela não conta que vive na favela. "Se eu disser que sou da Caixa d?Água, perco o serviço."


Os moradores esperam se mudar para um núcleo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), mas o projeto ainda não saiu do papel. A área escolhida foi embargada na Justiça.


Em Pirapora do Bom Jesus, a 50 quilômetros de São Paulo, um dos principais destinos do turismo religioso do Estado, uma favela se formou logo na entrada da cidade. Barracos e moradias precárias de alvenaria ocupam vasta área do bairro Bom Jesus, na margem do Rio Tietê. Pelo menos cem famílias precisam ser removidas por causa do risco e da insalubridade, segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Cláudio Vizeu. As casas serão construídas pela CDHU. A cidade de 14.341 habitantes tem cerca de 700 famílias em habitações precárias, mas o que mais prejudica o turismo, segundo ele, é o rio poluído. "O pior visual é o Tietê coberto de espuma."


A bela Serra Negra, de 24.700 habitantes, não tem favelas, mas a prefeitura detectou cerca de 400 famílias em moradias precárias e também entrou com projeto no órgão habitacional do Estado. Na estância turística de São Pedro, a 210 quilômetros da capital, 15 famílias invadiram área particular.A prefeitura teme novas invasões e providencia a construção de casas. A cidade, de 29.800 habitantes, decidiu controlar a expansão: novos loteamentos só com toda infra-estrutura.


Em Socorro, no Circuito das Águas, a 120 quilômetros da capital, a prefeitura desenvolve o Projeto Desfavelamento, financiado pela CDHU, com a construção de 25 casas. O prefeito de Caconde, Raul Silveira Bueno Júnior (PSDB), presidente da Associação das Prefeituras de Cidades Estâncias do Estado de São Paulo (Aprecesp), disse que apenas em casos especiais e bem fundamentados as prefeituras podem usar recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade) em projetos habitacionais. O dinheiro - R$ 139 milhões neste ano - é rateado anualmente entre as 70 cidades turísticas do Estado. Ele reconhece que essas cidades sofrem mais com o déficit habitacional. "Sinto isso na pele", afirma, lembrando que em Caconde, cidade de 18.600 habitantes, faltam 300 moradias. "Mas é preciso cuidado, pois, se há oferta de casas, há também o risco de atrair mais gente." Bueno pretende transferir as 60 famílias do núcleo São José, o principal bolsão de pobreza da cidade, para um conjunto habitacional com cem casas.

 

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