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Turismo

Incursão por Istambul desvela história intrincada

Bandeirolas turcas se agitam penduradas em todos os postes no caminho entre o aeroporto Atatürk, em Istambul, e o simpático bairro de Taksim. "No dia 29 de outubro aconteceu a festa da República", esclarece a guia de turismo Luiza Konfidan, em bom português.


Da avenida ao largo do mar de Mármara, o "mar entre mares" que liga o mar Negro ao mar Egeu, avista-se os transatlânticos de carga e os petroleiros esperando para aportar na maior cidade turca, antiga encruzilhada de rotas comerciais entre o Ocidente e o Oriente.


O trânsito é carregado --em 15 anos, a população de Istambul e arredores quase dobrou e, hoje, lá vivem cerca de 14 milhões de pessoas; um terço habita o lado europeu, e o restante mora na Ásia Menor.


Antiga capital dos impérios bizantino, romano e otomano, a cidade viveu o recuo do sultanato após o desmoronamento do Império Otomano, em 1918, para ressurgir como uma metrópole europeizada. E Mustafá Kemal, o Atatürk (1881-1938), foi o militar nacionalista que, em 1923, proclamou a República laica de legislação modernizante, adotou o alfabeto romano e colocou a Turquia na órbita do Ocidente.


Sua imagem, ainda hoje, é um símbolo nacional, está em vitrines, nas moedas e nas cédulas de liras turcas, em estandartes vermelhos adornados pela lua crescente e pela estrela.


Mais adiante, na altura do estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia, "se é que separa", como disse o escritor Josef Brodsky, o carro passa próximo a uma ruína da antiga muralha do século 6º e, dos alto-falantes nos minaretes de uma mesquita, ouve-se a ladainha do muezim chamando para o culto.


O trânsito para na avenida Inonu Cadessi, já perto do bairro de Taksim. Diante de uma escola francesa, um painel com imensa foto mostra um Atatürk encasacado e sorridente diante de uma criança.


"Estudei aí", diz a guia Luiza Konfidan, que nasceu no bairro de Gálata, nas proximidades, onde uma torre construída pelo imperador bizantino Justiniano, no ano de 528, foi reedificada pelos genoveses, no século 13, e depois tomada pelos turcos, em 1453.


Istambul, como disse o mesmo Brodsky, no ensaio "Fuga de Bizâncio" (publicado em "Menos Que Um", livro da Cia. das Letras), é um lugar onde a geografia encontra a história. Até há pouco, para chegar lá era preciso fazer um cruzeiro a partir de Veneza ou voar até uma grande cidade europeia e fazer escala para Istambul.


Agora já há voos diretos da Turkish Airlines que decolam diariamente de São Paulo. Assim, Istambul --aliás, Constantinopla... aliás, Bizâncio--, com suas camadas de história, suas mesquitas, palácios e museus, está mais disponível e, para alegria da guia Luiza, que tudo sabe e descreve em português fluente, está recebendo mais e mais turistas vindos do Brasil. / Imagens: Silvio Cioffi/Folha Imagem

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