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Turismo

Projeto apoiado pelo MTur no Pará leva mais qualidade de vida e renda para famílias ribeirinhas

Há 24 anos, a decisão de um médico paulista mudou a vida de centenas de famílias do oeste do Pará, região onde o principal acesso se dá pelo Rio Tapajós. Pessoas que sofriam de doenças causadas pela falta de cuidados com a água começaram a receber cloro e a participar de ações para redução dos altos índices de mortalidade infantil e desnutrição. O projeto do Dr. Eugênio Scannavino Netto ganhou nome - "Saúde e Alegria" - e uma sede própria, o Centro de Estudos Avançados de Promoção Social e Ambiental, (CEAPS), que fica em Santarém (PA).


Desde então, o Projeto Saúde e Alegria (PSA) oferece atendimentos médicos e prevenção com treinamento de voluntários locais, por meio da criação de uma rede de agentes multiplicadores. Com atividades lúdicas e artísticas, também leva saúde para o corpo e alegria para a alma, a principal receita do trabalho. Hoje, o PSA atua diretamente em três municípios do oeste do Pará - Belterra, Aveiro e Santarém - e atende aproximadamente 30 mil pessoas.


Outra atividade desenvolvida pelo PSA que vem garantindo mais qualidade de vida para a população ribeirinha é o turismo. Com apoio do Ministério do Turismo (MTur), essas comunidades estão sendo organizadas e qualificadas para receber bem os turistas que chegam à região. Segundo a coordenadora de Projetos de Estruturação em Áreas Priorizadas, Kátia Terezinha Silva, do MTur, um dos objetivos do convênio firmado com o PSA é aumentar a renda das famílias, por meio da estruturação, capacitação e apoio a comercialização de produtos turísticos, como roteiros e artesanato.


De acordo com a coordenadora, o projeto Ecoturismo de Base Comunitária no Pólo Tapajós já beneficiou mais de cinqüenta famílias. "A nossa expectativa é que no fim do projeto as comunidades envolvidas estejam preparadas para o encontro com os turistas e tenham seus roteiros e atividades de visita totalmente organizados, de forma que os visitantes retornem sempre e indiquem o destino para parentes e amigos", destaca.


TURISMO E RENDA - Valdemar Guimarães Paz, morador de Santarém e integrante do Saúde e Alegria há 15 anos, é um dos técnicos responsáveis pelo desenvolvimento do turismo na região. Ele diz que, com o projeto de turismo, a comunidade foi beneficiada como um todo. "Os jovens foram incentivados, a cultura local foi valorizada, líderes foram preparados. E o melhor é que agora sabemos como mostrar para as pessoas de fora toda a beleza da nossa região e das nossas tradições", conta.


Ele explica que os roteiros são planejados de acordo com as necessidades, tempo e interesse dos turistas: "Em cada comunidade uma atração diferente é oferecida. O turista que visita o Pólo Tapajós pode fazer trilhas e ver árvores gigantes, conhecer praias de rio, visitar oficinas de artesanatos ou simplesmente conversar com um morador e trocar experiências de vida".


A média de duração dos roteiros turísticos é de dez dias e os visitantes podem se hospedar em barcos ou nas casas de moradores. Segundo Valdemar, os viajantes participam de atividades localmente, interagindo com a cultura ribeirinha cabocla, remanescente de quilombolas e indígenas, nas quais as tradições são passadas há várias gerações. Ainda de acordo com Valdemar, boa parte dos turistas retorna. "A maioria dos turistas chega com uma impressão errada da Amazônia, que o povo é isolado e que os animais andam soltos nas vilas. Quando eles chegam, descobrem um povo cheio de sonhos, que vivem da floresta e do rio. Daí, se deslumbram", comemora.


O PÓLO TAPAJÓS - As comunidades que participam do projeto, além dos municípios de Alenquer, Monte Alegre, Óbidos e Oriximiná, fazem parte do Pólo Tapajós, região inserida no Programa de Regionalização do Ministério do Turismo. Santarém, Belterra e Aveiro estão localizados no interior da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e no Assentamento Extrativista Gleba Lago Grande. A viagem para esses municípios inclui saídas de Manaus (AM) ou Belém (PA), de barco (até 3 dias) ou avião (até duas horas).


A compra de pacotes pode ser feita pelo Projeto Bagagem, uma parceria entre o MTur e a ONG que leva o nome do projeto. O objetivo é apoiar a criação de roteiros turísticos que beneficiem prioritariamente as comunidades visitadas, com geração de renda e participação direta da população local.

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