Cesar Augusto é aluno da Escola Marechal Deodoro da Fonseca em Aquidauana
Crédito do vídeo: Helio Tinoco e Ronald Regis
A volta as aulas é um momento muito esperado por todos os estudantes. O período de férias é necessário, porém estudar é fundamental. Essa alegria de retorno é especial para cada aluno, mas para alguns, esse dia pode ter um “sabor” especial, como é o caso do estudante, César Augusto Regis Barreto, de 11 anos, que vai cursar o 7º ano, na Escola Estadual Marechal Deodoro da Fonseca, em Aquidauana, após ficar afastado devido a um acidente doméstico, em 2023.
Após sofrer um acidente doméstico, onde um prato quebrou, e um caco de vidro da louça foi parar numa das vistas de César, alguma coisa mudou para o estudante, que revela como tudo aconteceu.
“Eu estava em casa, tinha acabado de almoçar. Era um prato branco. Eu fui levar na pia, aí eu trompei na fruteira. O prato caiu da minha mão, eu fui tentar pegar o prato, o prato caiu, e um caco de vidro foi no meu olho. Eu gritei para minha tia, que ligou para minha mãe que foi em casa me buscar, para a gente ir para o hospital”, explica.
No hospital, um caco que havia atingido o olho direito de Cesar, foi retirado, mas nem tudo acabou nesse momento. O menino precisou passar por uma cirurgia de retirada do cristalino (uma lente que permite a visão nítida em todas as distâncias) que havia vazado no olho dele. Em função desse acidente, César passou a enxergar tudo embaçado pela vista afetada.
O estudante passou por vários procedimentos médicos - Arquivo Pessoal
Todo esse processo levou cerca de cinco meses, e o estudante, que corria o risco de perder a visão, só voltou a enxergar depois de uma cirurgia para implantação de uma lente, que permitiu que Cesar recuperasse a visão em 100%.
Diante dessa situação, o menino ficou impossibilitado de frequentar a escola, mas não deixou de estudar, ele ficou impedido de estar nas aulas presencias, mas recebeu todo o apoio pedagógico e didático, garantido pela escola em que está matriculado. César Augusto destaca que o professor Hélio, que o acompanhou nesse período de não poder ir à escola, foi muito importante na aprendizagem dele.
Cesar recebeu atendimento escolar em casa - Arquivo pessoal
Para a família esses dias foram muito apreensivos porque havia o risco de perda da visão, conforme contar Raquel Regis Barreto, mãe de Cesar.
“O acidente foi gravíssimo, porque cortou todas as camadas do olho dele. Ele começou perder a visão, porque a parte interna do olho começou a sair pelo corte. Então de imediato, nós fomos para Campo Grande, onde ele fez uma cirurgia de reconstituição da íris dele, e afetou também o globo ocular. Após essa cirurgia o tratamento foi intenso a cada duas horas, um acompanhamento de medicação. Ele não poderia fazer nada. Sem televisão, sem baixar a cabeça, sem celular, sem nada, e correndo o risco de infecção. E os médicos viram que ele não enxergava. Ele enxergava muito embaçado até 20 cm de distância”, explica.
Raquel conta ainda que acima de 20 ele não enxergava nada e nem pela lateral. Ela revela que foram quatro meses tirando os pontos. Foram nove pontos. César teve que passar por outras cirurgias de retirada do cristalino do olho do menino que ficou com uma catarata e numa nova cirurgia a equipe médica implantou uma lente interna de 12 graus e a necessidade de usar um óculos de 2,85 para corrigir o olho porque o globo ocular dele ainda não está no local adequado.
A volta às aulas foi um momento esperado por Cesar - Rafael Barbosa / Jornal O Pantaneiro
Assim, com esses recursos ele voltou a enxergar. Anteriormente a isso tudo, Cesar não enxergava nada, conta a mãe do Estudante.
No primeiro dia de aula a emoção tomou conta de Cesar, da mãe dele, do professor Hélio e de toda equipe escolar como dos colegas, também.
“Hoje foi muita alegria. Passamos diversos meses com o professor Hélio indo em casa, dando aulas todos os dias, e hoje no retorno ele ficou muito feliz, porque a escola é tudo. É um conjunto de ensinamento de convívio. Tudo isso ajuda na formação do caráter da criança. Aqui na Escola Marechal ele foi muito bem recebido, acolhido pelos professores, pela direção da escola,” completa Raquel, em tom de alegria.
Cesar segue agora para uma nova jornada certo de que a escola é um ambiente que faz muita falta na vida do estudante. Aprender é muito bom e importante, mas conviver é de extrema importância.
Veja o vídeo:
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