Um teste clínico dirigido em Moçambique pelo médico espanhol Pedro Alonso comprovou pela primeira vez a eficácia de uma vacina contra a malária em bebês de poucas semanas de vida.
Participaram 214 bebês de 10 a 18 semanas, que responderam satisfatoriamente à administração da vacina, desenvolvida pelo laboratório belga GlaxoSmithKline.
O médico John Aponte, primeiro signatário do estudo, explicou que, após seis meses de acompanhamento da evolução dos bebês, a vacina demonstrou ser eficaz, ao reduzir em 65% o número de novas infecções.
O teste, publicado na revista "The Lancet", foi realizado na província moçambicana de Manhiça, situada no sul do país.
"É a primeira vez que se prova a eficácia protetora contra infecções por malária em crianças tão pequenas", declarou Aponte.
O médico lembrou que a doença, transmitida por picadas de mosquito, provoca mais de um milhão de mortes por ano em todo o mundo, principalmente na África Subsaariana.
"Esses resultados representam um passo enorme rumo ao desenvolvimento de novas ferramentas de controle da malária", afirmou Alonso.
Ele lamentou a ausência, por muitos anos, de recursos humanos e econômicos suficientes na luta contra a doença, que "afeta os pobres e os mantém na pobreza".
O estudo dirigido por Pedro Alonso foi realizado no Centro de Pesquisa em Saúde de Manhiça, por profissionais do Hospital Clínico de Barcelona, da Universidade da mesma cidade espanhola, e do Ministério da Saúde de Moçambique.
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