Os alunos de João Batista Dias, 57, e Iraci Conceição Romagnolli Dias, 53, em Cuiabá, estão chocados. Eles e o genro, Thiago Olimpio Borges, 30, foram vitimados no acidente de trânsito mais grave da semana em Mato Grosso. Tatiane Romagnolli, 30 e a filha, um bebê de 10 meses, quase tiveram o mesmo fim, mas ainda correm risco de vida. João e Iraci são professores na capital e viajavam no BR 364, quando se envolveram num grave acidente.
Segundo relatos da Policia Rodoviária Federal o desfecho da tragédia foi assim: João, que dirigia um veículo da marca Ford Ecosport, trafegava com cuidado no sentido Rondonópolis a Cuiabá. A sua frente, porém, uma cena que tem sido comum para aqueles que viajam: uma ultrapassagem perigosa. O motorista de uma Hyunday não conseguiu ultrapassar, a tempo, uma carreta. Percebendo o perigo, tentou jogar o veículo para o acostamento. Devido ao declive da pista, perdeu o controle do veículo, que atingiu a Ecosport, lançando-o contra a carreta.
?Vejo essa cena com frequência e quase sempre não dá para fazer nada?, relata o caminhoneiro Everaldo T., 56. ?Não acredito que seja a pressa das pessoas, mas a irresponsabilidade mesmo?. Para a professora de psicologia Elisa Parayba Campos, as ultrapassagens indevidas são fruto da impaciência dos condutores. Uma das soluções para diminuir os altos índices, na ótica do professor de engenharia de tráfego Paulo César Marques, seria aumentar o rigor da legislação, mas entende que a medida não resolveria o problema do desrespeito no trânsito.
Algumas dicas para fazer uma ultrapassagem segura são: sempre dar seta, manter os faróis acesos durante o dia, reduzir a marcha, avaliar se é possível fazer a manobra e, se não der tempo de passar, o correto é diminuir a velocidade e voltar para a faixa. Se isto fosse observado no cenário desta tragédia, João, Iraci e Thiago ainda estariam entre nós. E Tatiane não teria que levar essa marca para o resto da vida.