Embora seja quase impossível a mídia interiorana sobreviver sem aquilo que se chama subvenção, ou seja, sem o apoio desta ou daquela instituição pública, e existem mecanismos legais para essa relação, é preciso que determinados limites sejam observados pelos formadores de opinião por causa dos vínculos que criam.
Embora a liberdade de expressão fomente a criação de fatos no campo político, espera-se que esses profissionais ? se é que o são ? não lancem mão da estratégia de publicar meias verdades, porque é sabido que uma meia verdade acaba sendo uma mentira inteira.
Em Aquidauana vive-se uma tensão permanente por causa da disputa política entre os dois grupos que representam a situação e a oposição. Não existem posicionamentos intermediários, embora se perceba que as posturas variam, de acordo com a progressão do jogo, o que é natural.
Mas, lamentavelmente existem aqueles que se valem do pior nas tensões inevitáveis entre os dois lados ? o A e o B como disse outro dia um jornalista da capital ? para confundir especialmente aqueles que não sabem fazer uma leitura coerente do processo.
O exemplo mais recente desta anomalia envolve a questão dos percentuais do duodécimo que deve ser repassado pelo executivo ao legislativo. A redução de 2,5% em 2012, prevista em lei, em relação à 2011, resultou na informação, incorreta, de que o chefe do Executivo, Fauzi Suleiman, seria o autor da matéria.
A verdade explicitada oportunamente pela assessoria do governo municipal nunca foi esta. A redução é fruto de um acordo entre as partes e não implica em prejuízo para que o poder legislativo desempenhe bem o seu papel.
Aliás, nunca nossos vereadores foram tão bem municiados com recursos advindos do executivo como nos últimos anos. Não tem como contestar os números. Ao término de quatro anos será algo em torno de R$ 9,6 milhões, contra R$ 5,8 da gestão passada.
A comparação/confrontação não visa fomentar a discussão sobre quem faz mais ou quem faz menos. Mas, simplesmente corrigir uma informação pelo direito que o leitor tem de conhecer a verdade dos fatos. Se pela democracia alguns se vêem no direito de usar do artifício da distorção, por ela, também, existe o direito da reparação.
É uma pena que a proximidade das eleições comece a criar um cenário que extrapola os limites da civilidade entre os homens, por aqui. Torcemos para que a liberdade que conquistamos não seja constantemente violada pela desonestidade, pois dela não precisamos para construir uma sociedade melhor.