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Prevenção

ESPECIAL: Dia Mundial de Luta Contra AIDS mobiliza setor de saúde de Aquidauana

O dia 1º de dezembro marca a luta mundial contra o vírus HIV/AIDS

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No dia 1º de dezembro é celebrada, mundialmente, a luta contra o vírus HIV/AIDS. A data tem o objetivo de reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/AIDS. Com o passar do tempo e o crescimento do número de casos, foi instituída como uma oportunidade de se trabalhar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do vírus com a população.

A médica Adriana Alvarenga, que atende nos postos ESF Thiago Bogado Figueiredo e ESF João André Madsen, na rua Estevão Alves Corrêa, Bairro Alto, conversou com a equipe de reportagem do jornal "O Pantaneiro" e falou um pouco mais sobre a doença e as principais formas de transmissão do vírus. "A gente precisa esclarecer que o vírus HIV é uma coisa e a AIDS é outra. São doenças em estágios diferentes. A infecção pelo vírus HIV só significa que ele está no seu corpo. Nisso a gente consegue intervir. A AIDS é quando, pelo HIV, o seu corpo perde as defesas. Isso demora de cinco a dez anos. Já a transmissão mais comum que existe hoje em dia do HIV, é a transmissão sexual. Por exemplo, no sexo oral, se houver esperma, pode haver a trasmissão. Então, no sexo oral, tem que usar preservativo. Sexo com penetração vaginal e anal também fazer a transmissão do HIV, ainda que não haja ejaculação no local, porque o atrito pode provocar a transmissão", alertou.

Na ocasião, ela comentou, também, que mesmo que haja um tratamento específico para a doença, que não tem cura, é necessário tomar os cuidados básicos. "Hoje em dia as pessoas não tem valorizado tanto o risco de pegar HIV como antigamente, quando as pessoas tinham medo. É importante a gente falar sobre isso e é importante ressaltar que não é necessária a ejaculação para que o vírus seja transmitido. Por isso, é necessário previnir com uma medida simples, que é o uso do preservativo, tanto feminino, quanto masculino, disponibilizados gratuitamente pela rede pública de saúde. Vale lembrar que não adianta usar os dois, é preciso escolher só um, porque o atrito do material pode fazer com que ele se rompa e, assim, a doença se espalhe", pontuou. 

A doutora falou, também, sobre a transmissão do vírus HIV por agulha. "Aqui no Brasil esse tipo de contaminação é menos comum, mas existe principalmente entre os viciados. Ainda assim, uma vez que são poucos usuários de drogas injetáveis, como por exemplo a heroína, que no mercado nacional é muito cara. Porém, o Ministério da Saúde já disponibiliza kits com agulhas descartáveis para essas pessoas, como contenção de danos", disse.

Sobre casos de suspeita de ter contraído o vírus, a médica explicou que existe, na rede pública de saúde, um procedimento para esse tipo de situação. "Se alguém teve uma relação sexual, por exemplo, hoje, e não usou preservativo, ou então foi vitma de estupro, ou o preservativo rasgou, há a necessidade de vir ao posto, que só funciona em horário comercial. A gente atende consulta de urgência e ela vai ser submetida a um teste rápido. Esse teste, como a relação é recente, pode vir a apresentar um 'falso negativo', por isso nós também coletamos o sangue para o teste de sorologia. Ela fica positiva em um contato de mais ou menos 14 dias. Então, se houve o contato nesse período e o exame deu negativo, nós o repetimos em um período de 28 dias".

Na entrevista, foi pontuado, também, o fato de uma possível infecção por contato com uma pessoa sabidamente soropositiva. "Por exemplo, se um profissional de saúde for tirar sangue de uma criança ou de uma pessoa que é, sabidamente, portadora do HIV, e acabar se furando, existe uma profilaxia para este contato. A gente notifica e aí a pessoa toma o coquetel por 28 dias para previnir a infecção, uma vez que ele entrou sabidamente em contato com o sangue contaminado", falou.

A médica também alertou para a "vergonha" que uma pessoa que pode estar contaminada com o vírus pode apresentar, o que dificulta muito a identificação e o tratamento. "A gente só tem um período de 72 horas para usar a profilaxia. Se a pessoa não chegar na gente nesse período, infelizmente a medida perde o seu valor e a 'vítima' pode ficar suscetível a algo que poderíamos ter prevenido", finalizou.

Dados Regionais

A Coordenadora do Núcleo de Média e Alta Complexidade de Aquidauana, enfermeira Lahis Freitas Silva, informou que, em 2017, foram notificados 20 novos casos de HIV, sendo 10 desses em Aquidauana e o restante na microrregião. 

Segundo os dados fornecidos pela enfermeira, na cidade são atendidos cerca de 155 casos de HIV+, contando com pacientes do município e das cidades ao redor, que vêm até o CEM para receberem o atendimento necessário.

Ainda conforme as informações concedidas pela coordenadora, todos os pacientes diagnosticados tem o tratamento e acompanhamento disponível pelo SUS.  

Estado

O número de novos casos de HIV/AIDS em Mato Grosso do Sul cresceu 45,3% nos primeiros 11 meses de 2017, em comparação com todo ano de 2016. A quantidade de casos saltou de 1.027 para 1.493, de acordo com dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan).

Apesar do número de casos ter aumentado, tanto na manifestação da doença (Aids), quanto na infestação do vírus (HIV), houve redução (32,3%) na quantidade de óbitos na comparação entre os dois anos.

A gerente técnica do programa estadual Infecções Sexualmente Transmissíveis/Aids (IST), Daniele Martins Tebet, explica que o diagnóstico e a adesão precoce ao tratamento foram os responsáveis diretos por esses números positivos. “A redução foi de 95 óbitos, em 2016, para 64 óbitos, até 29 de novembro de 2017”, afirma.

No combate à doença estão diversas ações como, o acesso universal à testagem (exame) e ao tratamento, além da disponibilização de antirretrovirais, apoio a pesquisas científicas e orientação da conduta das populações chaves, vulneráveis e prioritárias.

Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que haja no Brasil 827 mil pessoas portadoras do HIV, sendo que 372 mil estão em tratamento e aproximadamente 112 mil vivem com o HIV, mas ainda não sabem. A maior concentração de infectados estão na faixa etária de 20 a 24 anos com média de 33,1 casos para cada 100 mil habitantes. Já na faixa etária entre 15 e 19 anos, a média é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes.

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