Feminicidio
Todos nós sabemos que o machismo é fruto de toda uma cultura que, há anos vem sendo enfrentado pelas mulheres. A luta da mulher é constante. Estamos sempre em busca de romper com padrões e de sermos respeitadas afinal, somos todos iguais.
Aquidauana, que até então era uma cidade tranquila, teve dois casos chocantes de feminicídio nos últimos tempos. Recentemente a Pastora Cida foi executada pelo ex-marido enquanto proferia palavras de conforto a fiéis em sua igreja. O ex-marido não aceitou o término de seu relacionamento e se deu ao direito de violar o direito que ela tinha de viver. Posse também é machismo.
Mas estamos falando de um caso tão brutal quanto que parou a cidade. Airyfer Castro e o namorado Igor Quintana, ambos de 21 anos, foram assassinados a facadas pelo ex-namorado dela, Edmauro Gamarra Vieira.
Na madrugada do dia 17 de março de 2018, enquanto Airyfer e Igor dormiam, Edmauro invadiu a residência e esfaqueou os dois até a morte, por ciúmes. Ela levou 14 facadas e Igor, 21.
“Essa forma de não aceitar é complicado. Temos de rever a medida protetiva porque minha sobrinha tinha um mandado contra ele [Edmauro] e deu no que deu, a pastora Cida também. Temos que tomar cuidado com quem elegemos, porque eles que irão nos representar. A lei da medida protetiva na prática não condiz com a teoria. É preciso mais atenção”, argumentou Geysa Ortega, tia de Airyfer.
Geysa está, neste momento, no Fórum de Aquidauana aguardando o julgamento de Edmauro Gamarra. Familiares do casal brutalmente assassinados estão reunidos, alguns com camisetas, na esperança de justiça.
“Nada vai devolver a vida desses dois jovens, mas estamos confiantes não só na justiça dos homens, mas com a justiça de Deus. Que Deus possa conformar a vida da minha irmã, Mayra, do Anderson [irmão de Airyfer] e o pai dela, porque é muito triste a forma como eles foram tirados de nós. Mas estamos confiantes sim e vamos aguardar esse júri popular e que deus possa nos abençoar e nos conformar”, finalizou a tia de Airyfer.
A data do ultimo julgamento teve de ser adiada, por conta de um pedido de desaforamento da defesa, que alegou também que Aquidauana haveria risco de segurança ao réu, bem como risco à imparcialidade dos jurados, uma vez que o crime chocou a cidade pela brutalidade como foi cometido.
Na época, a casa de Gamarra foi incendiada em vingança, logo após os fatos. Todo o município havia se preparado para o julgamento, que mostrava necessário reforço da segurança e até mesmo bloqueio de ruas adjacentes ao Fórum. No entanto, a defesa conseguiu atrasar o processo.
Anderson, o irmão da vítima também acompanha o julgamento disse que todos os familiares estão consternados porém confiantes da ‘justiça dos homens’. “Temos um Deus maior e isso que cremos, mas estamos esperando que a justiça dos homens se cumpra”, disse.
Ayrifer e o namorado Igor foram assassinados por Edmauro. (Foto: Arquivo Pessoal)
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