Perdas
Anciões, que são os mais respeitados na cultura, estão sendo as principais vítimas da doença
Na semana em que é celebrada a cultura dos Povos Indígenas, Aquidauana registra 24 óbitos por Covid-19, desses, 15 são indígenas. A doença se instalou nas comunidades, que mesmo defendendo o completo isolamento social, precisaram trabalhar informalmente para conseguir o sustento.
É o caso do senhor Isaias Almeida, que tinha 63 anos e morreu no último dia 5 de agosto. Isaias amava um churrasco, ajudava até a organizar alguns, mas a sua principal função era na proteção da comunidade.

“Ele era uma pessoa muito prestativa ele gostava muito de ajudar a comunidade. Ele era uma pessoa muito querida pra família toda. Está sendo muito triste a perda dele e a minha vó está sofrendo demais”, desabafa a Maristela Batista, sobrinha dele.
Ainda não é possível afirmar o impacto que o novo coronavírus terá nas comunidades indígenas, mas está expondo a fragilidade desse grupo diante da doença de pessoas brancas.
Conforme informou o Correio Brasiliense, em meados de 25 de junho, o vírus já havia matado 117 indígenas e infectado mais de 4 mil em todo o Brasil, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde, contabilizados pela Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena).
Esses números são ainda maiores quando se leva em conta os grupos que vivem fora das aldeias, não sendo contabilizados pela Secretaria.

A frente de grupos de apoio as famílias das aldeias da região, a professora Évelin Hekeré diz que as comunidades estão tendo que lidar com a dor da perda quase que diariamente.
“Falar da dor do próximo é fácil, agora vivenciar a dor sentir a dor, as lamentações das anciãs o choro... Minha aldeia chora em silêncio! A noite eu ainda ouço o choro das famílias”, relata a terena.
Além das vidas perdidas, a Folha de S. Paulo, o Portal Uol e a Revista ÉPOCA já reportaram a situação de quase miséria das aldeias em todo Mato Grosso do Sul durante a pandemia. As comunidades estão dependendo de doações e bom grado das pessoas para conseguirem alimento.
"Estamos pedindo até ajuda ao município, mas não é suficiente. Tem famílias com seis, sete filhos. Dois pacotinhos de arroz não duram. E, sem poder sair, não dá para eles se virarem", afirmou a liderança da aldeia Nhanderu Marangatu, do município de Ântonio João, à ÉPOCA.
Para quem deseja ajudar as aldeias de Anastácio e, assim, tentar diminuir minimamente a dor dessas comunidades, doções podem ser entregues na Rua Severino Batista, nº 601 – em frente ao campo de futebol da Aldeinha.
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