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Aquidauana

Obra no Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Piraputanga revolta devoto

Morador diz que a nova estrutura destruiu o cartão postal de Aquidauana; Padre informou que obra foi para dar estrutura aos devotos

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Uma obra no antigo Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na estrada de acesso à Piraputanga, em Aquidauana, deixou o devoto Wilson Ferreira indignado. No lugar do antigo espaço foi construído uma nova estrutura.

Wilson é morador da região há décadas, e afirma que construiu o Santuário há 21 anos e não gostou nenhum pouco da nova obra. Ele vem postando sobre a insatisfação com o novo projeto nas redes sociais. 

 

Segundo Wilson Ferreira, o antigo Santuário dedicado a Nossa Senhora Aparecida foi reconstruído por ele e outros fieis há 21 anos, após a primeira capelinha de madeira pegar fogo.

A obra realizada por ele tinha uma pequena cobertura e era totalmente aberta com vistas livres à floresta e paisagem natural de Aquidauana. Ali, havia um poço junto a capela com a imagem da Santa, e milhares de turistas paravam na localidade para contemplar e fotografar além dos fieis, que usam para rezar. 

Há algumas semanas, o Padre Paulo, pároco da igreja Católica desenvolveu junto a um empresário da cidade um novo projeto e iniciou a construção de paredes e nova estrutura de telhado mudando completamente o visual do local, que fica às margens da estrada e pertence ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).

Wilson critica e diz que a obra não agradou, pois inseriram uma parede tapando a paisagem ao fundo do altar, onde se encontra a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ele diz ainda, que tinha apresentado um outro projeto com estrutura metálica e oval, sem prejudicar o conceito do Santuário, mas que não foi ouvido pelo empresário e tampouco pelo padre. 

“Esse não era o projeto. Infelizmente estou entrando na Justiça e não vou deixar fazerem isso. O poço sempre ficou dentro da capela. Eu construí o Santuário desde o primeiro tijolo. Derrubaram tudo e colocaram aquela parede no lugar. Perdeu a identidade do Santuário. Eu não vou admitir que esse padre faça o quer. Ele quer um comércio lá. Eu já fui na Delegacia, já fui na Polícia Civil e registrei boletim de ocorrência.”

Wilson chegou a proferir xingamentos contra o padre em áudios nos grupos de Whatsapp e disse que iria derrubar a obra. Após o fato, foi registrado contra ele um boletim de ocorrência pelo representante da igreja.

Pelo jeito a história vai longe, já que alguns moradores concordam com Wilson e outros não.

Ele afirma que vai entrar na Justiça para embargar a obra, e que já colhe assinaturas de moradores do município para montar a Associação dos Devotos de Nossa Senhora Aparecida, a fim de que a petição para voltar ao que era seja aceita. Wilson afirma que já tem 400 assinaturas. 

Gilmara Magali Nascimento Santana Santana disse que a obra ficou ruim. “Não podemos permitir esse absurdo.”

Diane Fátima Luz também não gostou. “Fui na missa lá no santuário. Nossa de longe eu vi aquele galpão, escondeu a santa, o encanto e a natureza em sua volta. Ela fazia parte, e escondeu ela, ficou muito feio, não gostei.”

“Um galpão escondendo a santa. Era um lugar lindo que de longe era avistado”, disse Anadir Sanabria Lopes .

“Sou evangélica, mas sempre que passava pela estrada parque, tinha orgulho de ver aquele singelo monumento da santa, era muito mais bonito, atraente, como era antes, com aquela vista de fundos para a morraria e a natureza, lamentável”, disse Giselia Maria Ferreira.

O que diz o Padre?

O Padre Paulo foi procurado pela reportagem de O Pantaneiro e esclareceu que a nova obra foi realizada para dar melhor estrutura aos devotos.

Ele diz que respeita a história de Wilson e que o chamou para dialogar por três vezes, mas não teve retorno.

“Primeiramente, eu respeito o senhor Wilson Ferreira. Eu respeito a história dele, que deu continuidade daquilo que já haviam feito lá atrás. E a gente diante de toda situação, e da precariedade que é lá, no dia 12 de outubro, rodovia lotada, e sempre tomada por devotos, pensamos em melhorar. Por isso, realizamos essa obra visando dar melhor estutura."

O padre Paulo diz ainda que a situação da parede pode ser resolvida com diálogo e respeito.

"Essa parede que foi colocada ali atrás tapou mesmo a visão. E temos de sentar e conversar. Como padre da região e de 32 comunidades, e qualquer evento que venha acontecer, eu tenho que assumir. Ali se Deus abençoar e correr tudo bem, temos até um plano de fazer um caminho para Nossa Senhora. A história de arrecadar dinheiro não é verdadeira. E desde a pandemia estamos atendendo o povo e famílias com cestas básicas. Essa obra é para alimentar a fé do povo e não para arrecadar."

Para o Padre Paulo, a obra ficou bonita, e ele diz que os devotos que participaram da Missa na última quarta-feira, 12 de outubro, e dia de Nossa Senhora da Aparecida contemplaram a fé e gostaram do resultado da obra.

"A igreja é participação, é a fonte da graça e precisamos levar o atendimento da espiritualidade. E é um lugar que temos de oferecer o melhor. Não ficou uma obra feia. Ficou uma obra bonita. Se você olhar 95% do povo gostou e tivemos no dia 12 agora, cerca de 2 mil pessoas e 500 carros."

"A gente respeita as pessoas que estão reclamando. Eu chamei ele [Wilson] três vezes para dialogar, e ele não veio. A igreja vai além da estrutura, é espiritualidade. Deus está no comando, e temos certeza de que tudo ficará bem ao final. Estamos aqui para atender e ouvir a todos", disse o Padre Paulo.

O pároco informou ainda que a igreja sempre esteve a disposição dos devotos e segue atendendo as famílias carentes com cestas básicas e recursos, revertendo a arrecadação para esses fins. No próximo domingo (16), ele deve conversar com o empresário que doou os materiais e definir os próximos passos da obra.


 

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