X

SOLIDARIEDADE

Detentos e servidores do presídio de Aquidauana unidos para levar alívio e cultura à população

Eles desenvolveram a banca solidária que faz parte do projeto "Aromas, Sabores e Saberes"

Compartilhe:

A-

A+

A fome é um estado que não se precisa necessariamente passar, para saber sua gravidade e o seu efeito numa pessoa. Pensando em aliviar essa condição tão severa, que os funcionários da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), do presídio de Aquidauana, se uniram aos internos do local para juntos desenvolverem um trabalho social onde a solidariedade é o elo principal e mais resistente.

Eles estão desenvolvendo a banca solidária que faz parte do projeto "Aromas, Sabores e Saberes", que consiste num canteiro de ervas aromáticas e medicinais, ao lado da horta que existe no local, mantida pela unidade, contemplando as palavras Aromas e sabores. Já a palavra saberes, há uma geladeira da leitura, onde a população tem acesso gratuito a livros para aumentar o conhecimento.

Todo esse trabalho e caminho foi percorrido pela equipe de servidores da penitenciária e seus policias penais, com total apoio do Diretor Cláudio Reis Alviço, que reconhece todo o valor dos envolvidos no trabalho inclusive da Juíza da Comarca.

"Primeiro eu quero destacar o trabalho de todos, em especial o trabalho dos três policiais que criaram o projeto, mas é um trabalho que passa de mão em mão, passa desde a mão do servidor que abre a cela e que desenvolve também o seu trabalho diário, e também pelo judiciário.  Através da Dra. Kelly Gaspar, nos autorizou com a saída de cinco presos aqui do sistema fechado para a horta, seja visto que os presos que trabalham aqui não são do sistema semi aberto, mas do fechado. É exclusivamente um projeto dos cinco presos do fechado, e isso deu uma certa autonomia para que nós pudéssemos fazer e desenvolver ações e com essa autonomia, os policiais tiveram essas ideias que foram implementadas, e ao mesmo tempo sendo reconhecida. A gente costuma dizer que dento da unidade já estava tão forte essa vontade de fazer o bem, como estava sendo feito lá dentro de ressocialização, que ela explodiu o extra muro. Passou do intra muros para fora da muralha. Mostrando um pouco do trablho que é feito lá dentro. Um pouco bom do trabalho que é feito lá dentro. Lá dentro acontecem ações de ressocialização através da leitura através de cursos profissionalizantes, através de ações como as lajotas que são 10 quilômetros pavimentas com convênio através da prefeitura e que remunera esses presos que têm sua família aqui fora", explica orgulhoso Alviço.  

Do lado fora da unidade penal é possível a pessoa transitar por uma trilha admirando as mais diversas ervas que podem servir para chás ou temperos e se encantar com peças de artesanato feitas pelos internos com pneus, e, ao mesmo tempo, se deparar com uma horta que expressa um tom de verde especial, entregues gratuitamente pelos servidores em dias específicos àqueles que precisam reforçar a alimentação.  

Cebolinha, coentro, couve, salsinha, alface, berinjela, morango e rúcula são algumas das hortaliças cultivadas

Essa horta atende também aos projetos da Secretaria Municipal de Assistência Social. Todo esse trabalho, teve um embrião muito despretensioso, mas que por se tratar de solidariedade atravessou os muros como explicou o diretor, e hoje é um projeto admirado e de muito orgulho dos envolvidos diretamente, que são os policiais penais, Eliane luz, Elvis Moreira e Andréia Pereira, que há 15 anos trabalha na unidade e conta como tudo começou. 

"Nosso projeto iniciou no período da pandemia. Foi um período que a nossa saúde mental foi bem agredida nesse período, que muitas pessoas tinham perdido parentes e nós também. Então, nós nos reunimos, e procuramos um ajudar o outro, nessa dificuldade com a saúde mental que nós estávamos enfrentando. E aí tivemos a ideia de cada um trazer aquela receitinha da vovó, aquele chazinho caseio. E aí começamos ali entre nós, nos cuidando de nós três, cuidando da nossa saúde e acabamos semeando entre os nossos colegas. Os colegas chegavam, nós compartilhávamos a nossa ideia e distribuímos para o diretor, para os amigos. Isso se expandiu e o Moreira, que é outro integrante da nossa equipe, começou a fazer aquele chá de imunidade para ajudar. Fazíamos para nós e também para os servidores e os internos. Foi assim, inicialmente nós buscamos a cura e a saúde mental", explica a policial.

O local desenvolvido como uma trilha carregada de beleza e bom gosto, por meio de uma decoração com pneus de descarte reutilizados em artesanato, pintados e transformados em esculturas, pelos detentos. Essas peças decoram todo o espaço onde está implantada a banca e o caminho, que leva o visitante até um lago denominado "Água da Vida". 

A "Rota da Cura" sustentável que encanta, educa e alimenta corpo e alma 

"Esse projeto saiu do nosso coração, de uma maneira muito carinhosa. Pensando nos outros e na população, tivemos a ideia, eu e a Eliane Moreira, de fazermos um canteiro, já tínhamos a horta, aqui na unidade e pensamos em fazer o canteiro com essas plantas medicinais que pudéssemos distribuir para a população e passar informações para eles também. E foi tomando uma dimensão, que nós nem imaginávamos. A ideia inicial, foi ajudar a nossa saúde, aos colegas, aos servidores da unidade, e estendemos à população também. E hoje estamos aí, com esse sucesso, através das pessoas. Na verdade, nós não tínhamos nenhuma intensão com relação a isso," revela Andréia em tom de alegria. 

Ao transitar por essa trilha, o visitante depara com diversas mudas de ervas aromáticas quanto medicinais, que estão disponibilizadas para utilização gratuita. Nesse mesmo espaço, também é possível encontrar uma surpresa que é a geladeira literária. Nela, estão acomodados diversos livros que a pessoa pode retirar para levar para casa, ler e devolver oportunamente, após o final da leitura. Essa iniciativa recente também está sendo muito bem aceita pela população. 

"Eu tenho certeza que o projeto, ele teve boa aceitação. Tanto dos vizinhos, e dos transeuntes também. Porque a gente colocou aquela geladeira literária ali, porque é um caminho que passa bastante estudante de manhã. Eu fico ali acompanhando os internos na limpeza, e depois eles vão para a horta, aí eu percebi isso, por isso surgiu a ideia da gente agregar o que nós tínhamos que o nosso projeto era "Aromas e Sabores" que a gente trabalhava junto com as hortaliças, e as plantas medicinais.  Aí discutindo pesquisando, falei, vamos colocar os Saberes também, e instalar a geladeira literária lá. No início a gente pensava que ela não teria boa aceitação. Só que tem gente que diariamente vem, pega um livro, traz outro, devolve aquele que leu, pega outro. Então, eu acho que essa interação está sendo bem bacana", conta orgulhosa a policial Eliane.

A geladeira também recebe doação de publicações. Todo esse trabalho foi elaborado e desenvolvido pelos policiais penais Andréia Diniz, Eliane Luz e Elvis Moreira, buscando capacitar os internos no plantio e cultivo, como também utilizar o que é colhido como reforço na saúde e alimentação de custodiados, além de instituições sociais da cidade. Os servidores contam como total apoio do diretor da unidade prisional, Claudio Reis Alviço. Toda essa iniciativa é uma das frentes de ressocialização da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). Ao percorrer o caminho construído no local através do projeto na sua expressão mais concreta, que apresenta arte, cultura e plantio, é possível acessar ao lago "Água da Vida" sentar num banco construídos pelos internos com peças reaproveitadas, e enquanto se contempla toda a beleza, poder perceber que o trabalho não se limita a ser desenvolvido entre gente cuidando de gente; mas por seres humanos que transformam seres humanos. 

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Morre José Amaro da Silva, veterano da FEB, aos 106 anos

MEMÓRIA

Morre José Amaro da Silva, veterano da FEB, aos 106 anos

Pernambucano integrou as tropas brasileiras na Itália; Censo de setembro apontava menos de duas dezenas de ex-combatentes vivos no país

Corpo de adolescente desaparecido é encontrado no Rio Paraguai

AFOGAMENTO

Corpo de adolescente desaparecido é encontrado no Rio Paraguai

Vítima estava a cinco metros de profundidade; buscas haviam começado no fim da tarde desta sexta-feira

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo