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Ao abrir esta solenidade festiva em que se comemora os 60 anos de circulação ininterrupta do jornal O Pantaneiro, quero, inicialmente, juntando todo meu sentimento, agradecer a todos vocês, indistintamente, nossos amigos e que nos acompanharam nessa jornada. Por isso, o nosso mais profundo agradecimento. 

O jornal O Pantaneiro circulou a sua primeira edição no 5 de maio de 1965. Criado pelo esforço de 3 homens corajosos e determinados – tipógrafo Aldo Royg; advogado Augusto Alves Correa e cirurgião dentista Oscar de Barros Filho, todos novatos em suas profissões e entusiasmados pelo futuro de Aquidauana, juntaram forças e fundaram O PANTANEIRO.

O lançamento do novo jornal foi na manhã do dia 5 de maio de 1965, uma quarta-feira. A sede era próximo da rua Manoel Antônio Paes de Barros. No editorial dessa primeira edição os diretores demonstraram qual seria a missão e os valores do novo jornal, apresentado aos seus leitores de Aquidauana e região.

Peço licença para a leitura desse editorial, linha mestra de sua existência.

“Leitor amigo:

Estamos colocando em suas mãos, o nosso primeiro número de “O Pantaneiro”, jornal nascido em Aquidauana, para Aquidauana e sobre Aquidauana.

Nascemos como todos: desacreditados, criticados e ridicularizados.

Há algum tempo nossa cidade, ainda menina, esperava pelos que vimos de plagas distantes pudessem dar a ela o impulso que qualquer cidade tenra necessitava.

Receava-se entre nós, o ditado, “Santo de casa não faz milagres!", mas Aquidauana cresceu. Seus filhos voltaram e se dividiram nos diversos afazeres, procurando cada qual dar a sua colaboração pelo progresso da cidade.

E assim, também, nós voltamos.

Não viemos fazer milagres, nem pretendemos.

Mas voltamos e queremos dar, também, o nosso quinhão naquilo planejado por nossos avós, edificados por nossos pais e entregue a nós e às gerações futuras.

Não nascemos presos a ninguém ou ligados a qualquer agremiação partidária. Nascemos do esforço, do pensamento e, porque não dizer, do amor que nos prende a nossa cidade.

O Pantaneiro, já no nome, traz a nossa homenagem aos homens de quem depende a economia da nossa cidade: o pecuarista.

Mas não vimos defendê-lo, e sim reconhecer o seu valor.

Vimos cantar, sem versos, a beleza e a grandiosidade de nossa cidade, sala de espera do fabuloso pantanal Mato-Grossense.

Vimos prestar nosso tributo aos seus heroicos fundadores e àqueles que continuam suas obras. Vimos levantar um monumento a você aquidauanense.

E é com esse fim que nasceu O Pantaneiro: livre como a andorinha, cônscio de suas responsabilidades como qualquer um de vocês e, como todos, trabalhando para o engrandecimento de seu torrão natal!

Não nascemos do ódio, mas somos frutos do amor, o amor à nossa cidade e sua gente.

E com vocês estaremos para propagar a suas grandezas.

Bom dia, Aquidauana!!!

Acreditamos que esse editorial da primeira edição de O Pantaneiro foi a linha que norteou toda nossa existência nesses primeiros 60 anos. Torcemos para continuarmos nessa trilha.

Quero aqui homenagear uma pessoa que teve a crença e a coragem em desistir de um trabalho bem diferente e embrenhar-se por este pântano em busca de outras plagas. Corajosa, criou uma família com 3 filhos e ainda respondeu por quase 40 anos como diretora comercial do jornal. Estou lembrando, como sempre, da minha esposa Alice que nos deixou em novembro de 2015, vítima de uma doença dos rins. O nosso eterno reconhecimento.

Nesses 60 anos o jornal foi sustentado por um grupo de colaboradores que cada qual ao seu tempo deu um quinhão de seu trabalho que está refletido na existência do jornal.

Dizem e afirmam que o jornal escrito está com seus dias contados. Sem dúvida as dificuldades aumentam em meio às promessas.

Mas acreditamos ainda nesse tipo de comunicação. Os jornais  surgiram para registrar os acontecimentos a cidades. A tarefa dos jornais interioranos é essa – cada dia surge um fato novo - como uma onça que devorou um campeiro. E o jornal deve estar atento em registrar para bem noticiar.

Amanhã recomeçaremos. Vamos caminhar por uma nova jornada. Queremos continuar, ombreados, com todos vocês por mais um tempo."


José Lima Neto

 

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